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Grécia: Mais austeridade e risco de maiores protestos

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Grécia: Mais austeridade e risco de maiores protestos

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O parlamento grego aprovou ao início da madrugada uma reforma pública que deverá provocar, a breve prazo, o despedimento de 4 mil funcionários públicos. As novas medidas, uma exigência da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional para que desbloqueassem um novo pacote de ajuda de cerca de 7 mil milhões de euros, deverá ainda afetar mais de vinte mil outros trabalhadores do setor público grego, entre eles professores e polícias, que serão incluídos num sistema de mobilidade especial.

Enquanto decorria a votação do novo pacote de medidas, e na sequência das manifestações dos últimos dias por todo o país, milhares de pessoas juntaram-se à porta da Casa do Parlamento, em Atenas, entoando frases antiausteridade. Lá dentro, 153 deputados, dos 300 que compõem o parlamento, votaram “sim” ao diploma que vai permitir à Grécia receber o novo pacote de ajuda monetária. 140 votaram “não” e houve 7 abstenções, incluindo ausências.

A decisão é vista como o primeiro grande teste do novo executivo bipartido liderado pelo primeiro-ministro Antonis Samaras, que horas antes da votação prometia, pela televisão, que “melhores dias virão” para os gregos. “Não vamos desistir. Vamos subir a colina e chegar ao fim [desta austeridade], que já não está longe”, disse o chefe de governo, que, na mesma comunicação ao país, anunciou a redução do IVA na restauração grega de 23 para 13 por cento, a partir de 1 de agosto, como estratégia para reduzir a evasão fiscal, evitar o encerramento de pequenos negócios e promover, até, a criação de postos de trabalho no setor privado.

Uma mudança similar no IVA é defendida em Portugal pelo PS, mas, para já, sem sucesso depois do chumbo da mesma pelo Governo em julho – o novo compromisso de salvação nacional, solicitado pelo Presidente da Republica e que junta PSD, CDS (a coligação no Governo) e PS, poderá contudo fazer regressar o tema para a mesa das negociações.

O novo pacote de medidas de austeridade, entretanto aprovado na Grécia, vai provocar um aumento do desemprego no país. Dos cerca de 25 mil funcionários públicos afetados, cerca de 12500 serão colocados já na mobilidade especial, com o salário reduzido para 75 por cento até encontrarem nova colocação num período de oito meses. Se nesse prazo, não conseguirem recolocação no setor público serão dispensados. Deles, 4 mil deverão ser mesmo riscados em breve dos quadros do Estado. Outros 12500 funcionários públicos deverão passar pelo mesmo processo em 2014, havendo já estimativas que no final do próximo ano, ao todo, cerca de 11 mil gregos terão sido dispensados da função pública.

Os últimos dias têm sido marcados por intensas manifestações um pouco por toda a Grécia. O novo pacote de medidas agora aprovado deverá levar ao aumento da revolta popular face ao iminente e significativo novo lote de despedimentos. Tudo isto no dia em que em que o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, estará em Atenas, numa visita que motivou a Direção-Geral da Polícia da capital helénica de emitir um comunicado a proibir todas e quaisquer concentrações ou manifestações nos locais por onde irá passar a comitiva do responsável germânico.