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Grécia: Revolta popular intensifica-se contra a austeridade

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Grécia: Revolta popular intensifica-se contra a austeridade

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A revolta do povo grego contra a austeridade, como se esperava, foi agravada esta quinta-feira com a aprovação, no Parlamento de Atenas, de uma nova reforma na administração pública que vai afetar mais de vinte e cinco mil funcionários do Estado, na maioria professores e polícias e municipais. A maior fatia passa à mobilidade especial, cerca de 12 mil deverão ser despedidos até final de 2014 – 4 mil deles já este ano.

Descontentes com austeridade e e ainda mais pela perspetiva de novos cortes motivados pelo pacote de medidas em discussão, os manifestantes começaram a juntar-se na praça Syntagma, junto à Casa do Parlamento helénico, ainda antes de conhecida a decisão. Ali ao lado, dos 300 deputados que compõem o Parlamento, apenas estiveram presentes na votação 293. O “sim” foi a decisão de 153 deles, contra o “não” dos restantes 140.

O novo pacote de medidas, que visam reformar as administrações pública e fiscal da Grécia, foi uma exigência da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional e visa desbloquear mais uma tranche de ajuda ao país de sete mil milhões de euros. Nas ruas, os gregos sentem-se… desgovernado.

“Com apenas um voto eles assassinaram 100 mil pessoas. Eles mataram as pessoas com essa decisão. São pessoas”, acusava o segurança de uma escola, presente na praça Syntagma. Também por ali, o presidente da associação de professores de Larissa, confessava que “todos professores se sentem traídos”. “Eles estão a destruir-nos as universidades técnicas e isto é só o começo”, garantia Michalis Tzatzas.

Descontentes com o governo, os manifestantes gritaram pelo Syriza, o partido de extrema-esquerda liderado por Alexis Tsipras, que parece, cada vez mais, ganhar a preferência do povo, que continua sem ver a luz ao fundo do negro túnel da austeridade. Os gritos de revolta dirigem-se ao primeiro-ministro Antonis Samaras e à sua Nova Democracia. Os de apoio, vão para a oposição, que começa a reclamar o poder.

“Há um rio de enorme progresso que está a correr e cuja corrente não pode ser parada. Os dias do governo de Samaras estão contados. O tempo da Esquerda chegou”, defendeu Panagiotis Lafazanis, um dos deputados parlamentares do Syriza, que após votar contra as novas medidas deixou o parlamento e juntou-se aos manifestantes.

Os últimos dias na Grécia têm sido marcados por protestos de vários setores contra a austeridade. Com as novas medidas aprovadas, a revolta popular promete aumentar nas próximas horas. Ainda para mais, com a visita desta quinta-feira a Atenas de Wolfgang Schäuble. O ministro das Finanças alemão leva aos gregos uma proposta de ajuda financeira para pequenas e médias empresas, que pode chegar aos 100 milhões de euros financiados pelo banco estatal germânico KFW.