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Japão: Shinzo Abe vence mas convence apenas na economia

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Japão: Shinzo Abe vence mas convence apenas na economia

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O primeiro-ministro do Japão afirma que não vai voltar atrás nas difíceis reformas económicas levadas a cabo no país. As declarações surgem depois das eleições de ontem para o senado terem reforçado o peso dos partidos da coligação liderada por Shinzo Abe, nas duas câmaras do parlamento, apesar de uma abstenção recorde de 52%.

Para o chefe de governo, “Penso que este resultado representa um recomeço. Os cidadãos mostraram que querem uma recuperação económica forte que seja visível”.

Trata-se da primeira vez, em seis anos, que um líder de um governo japonês conta com o apoio das duas câmaras do parlamento. Uma “luz verde” ao programa de reformas económicas de Abe, depois das medidas terem permitido o crescimento da economia nipónica em 4% no primeiro trimestre deste ano.

Mas como sublinha um residente de Tóquio, outras preocupações afetam os japoneses: “Mesmo que a economia esteja a recuperar há sempre a preocupação de uma frição diplomática acrescida com países vizinhos e essa é a nossa principal preocupação”.

Mas a suposta agenda nacionalista de Abe enfrenta um problema de peso, a falta de uma maioria de três terços no parlamento para aprovar medidas como a polémica revisão constitucional para dar um papel mais interventivo ao exército do país.

Para Jeffrey Kingston, analista, “Abe deverá continuar a aposta na economia, uma vez que não conta com apoio para uma revisão constitucional, para reforçar o papel do exército. Há apoio público para lançar esforços de reconciliação com os países vizinhos e seria contraproducente que Abe mostrasse ao mundo a sua face mais nacionalista”.

Segundo as últimas sondagens, 42.9% da população opõe-se à revisão da constituição pacifista herdada da segunda guerra mundial e mais de 55% estão contra o projeto de Abe de reabrir a central nuclear de Fukushima, criticando igualmente as intenções do governo de retomar o programa nuclear do país.