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Futuro do Zimbabué depende da transparência destas eleições

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Futuro do Zimbabué depende da transparência destas eleições

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O Zimbabué realiza, nesta quarta-feira, eleições gerais depois de mais de quatro anos de um governo de unidade nacional.
Robert Mugabe recandidata-se à presidência, continuando a controlar a polícia e o exército, daí estar em posição de ganhar de novo as eleições parlamentares e presidenciais.

Na campanha, Mugabe prometeu continuar privilegiar a maioria negra do país no controle das empresas estrangeiras e criar dois milhões de empregos, ao mesmo tempo que provocava o Ocidente:

“Estão surpreendidos por o Zimbabué não ter entrado em colapso por causa das sanções. Não nos deixamos derrubar, nunca entraremos em colapso”.

Quanto ao primeiro-ministro e eterno rival de Mugabe, Morgan Tsvangirai, insistiu em reconstruir o país, atraindo investimento, tanto local como estrangeiro, além de restabelecer as relações com a comunidade internacional.

“O que queremos fazer é construir, não é destruir. Queremos ocupar-nos dos problemas que afetam a população. Temos de dar as boas-vindas aos investidores, tanto locais como internacionais, e não os acossar, temos de acabar com essa posição racista”

O Zimbabué, antigo celeiro de África, não consegue alimentar a população desde o marasmo económico provocado pelas expropriações de terras aos brancos, há uma década; tinham ficado depois do fim do colonialismo no país que se chamou Rodésia. Moçambique é que ficou a ganhar, quando abriu as fronteiras a estes agricultores africanos…

O desemprego continua elevado: os dados oficiais apontam para uma taxa de 9%. Várias organizações não governamentais denunciam uma realidade muito diferente: 85% da população estará desempregada.

A grande inflação foi controlada com a introdução de dólar norte-americano que substituiu o dólar nacional mas que vai fazer falta para convencer os investidores de que o Zimbabué é um país seguro.

Takura Zhangazha, analista político, alerta:

“Uma vitória do presidente Mugabe, equivale a dizer que vão continuar os problemas com as sanções económicas, o isolamento internacional, mas, apesar de tudo, há algumas informações que indicam que o Ocidente pretende restabelecer relações económicas com o Zimbabué, desde que as eleições sejam livres e justas”.

O que é certo é que o caótico voto de 70 mil polícias e funcionários públicos públicos, relaizado antes, a 14 e 15 de julho, não é um bom presságio. Foi mesmo um fiasco, devido à falta de boletins de voto e mesmo de tinta.