Última hora

Última hora

Egito: protestos pró-Morsi prosseguem apesar de "ultimato" do governo

Em leitura:

Egito: protestos pró-Morsi prosseguem apesar de "ultimato" do governo

Tamanho do texto Aa Aa

As autoridades egípcias preparam-se para dispersar os protestos dos apoiantes do presidente Mohamed Morsi, no Cairo, consideradas pelo governo interino como “uma ameaça à segurança nacional”.

Num comunicado, publicado ontem, o ministério do Interior afirma que vai tomar todas as medidas para pôr fim às manifestações junto a duas mesquitas das capital.

Para Mohamed El-Beltagy, um responsável da Irmandade Muçulmana, na origem dos protestos, “utilizar a força para dispersar estas concentrações implicaria a morte de centenas de pessoas. O exército parece que se esqueceu da sua tarefa de defender o país ao decidir assassinar o seu próprio povo”.

O ultimato, sem data marcada, afasta a possibilidade de uma solução para pôr fim à crise provocada pelo derrube do presidente Mohamed Morsi, quando a Irmandade Muçulmana se recusa a reconhecer o novo governo provisório.

“Nós não ligamos aos comunicados do ministério do Interior ou do ministro dos Negócios Estrangeiros, não queremos saber se a América ou a Europa estão a nosso lado ou contra nós. O mais importante é a determinação em prosseguirmos estes protestos e, se deus quiser, sairemos vitoriosos”, afirma um manifestante pró-Morsi.

Segundo a imprensa egípcia, o exército estaria a preparar uma operação para evacuar as duas zonas da capital onde decorrem os protestos, de forma gradual, de um primeiro aviso, à utilização de gás lacrimogéneo, até a uma situação descrita como de “auto-defesa”.

A repressão dos protestos dos islamitas provocou já mais de 300 mortos desde o derrube do presidente Morsi pelos militares, no início de julho.

O grupo armado Jema Islamya reagiu ao comunicado do ministério do Interior, com uma ameaça: “qualquer tentativa para impôr a vontade dos responsáveis do golpe militar mergulhará o país no caos, e o comandante do golpe, o presidente e o ministro do Interior serão os principais responsáveis”.

Apesar da advertência do governo interino, os apoiantes do presidente deposto convocaram uma nova manifestação para sexta-feira, com o objetivo de juntar um milhão de pessoas, no Cairo, para exigir o regresso de Mohamed Morsi.

A tensão crescente no país representa também um fracasso para os esforços de mediação da União Europeia. Depois da deslocação de Catherine Ashton, no início da semana, e do enviado da UE para o sul do mediterrâneo, Bernardino Léon, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Guido Westerwelle, deverá deslocar-se hoje ao Cairo para discutir com ambos os campos uma solução “inclusiva” para a transição política no país.