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Música clássica nas montanhas do Azerbaijão

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Música clássica nas montanhas do Azerbaijão

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O Festival Internacional de Música de Gabala, no Azerbaijão, vai na quinta edição e já tem um clube de fãs irredutíveis. É o caso da família de Namisat Kerimow que tem assistido a todos os concertos desde o primeiro dia.

“Há um ano que eu e a minha família estávamos à espera do festival. A música clássica dá-nos alegria e faz cantar as nossas almas”, confessa Namisat Kerimov.

Entre os destaques do evento, “Romeu e Julieta” de Prokofiev, pela Orquestra Sinfónica Nova Rússia.

“O tema do concerto é o amor. Às vezes a música é trágica, outras vezes nem tanto. Mas o que é importante é o tema principal”, explica o maestro azerbaijanês Rauf Abdullaev.

Dmitry Yablonsky é um dos directores artísticos do festival. O violoncelista considera que o instrumento soa melhor na montanha:

“Ensaiar na natureza inspira-nos muito. E a natureza no Azerbeijão é única. Nove das onze zonas climáticas estão aqui representadas.
As montanhas atingem cinco mil metros de altitude. Considerámos esse facto quando construímos o palco. Está posicionado de maneira a que os artistas vejam as montanhas. O público pode ver os hóteis enquanto nós só vemos os incríveis cimos das montanhas.”

Além da música clássica, o Festival dá destaque a uma das mais importantes tradições musicais do Azerbaijão. O mugham tem pontos em comum com instrumentos persas, do Iraque e da Turquia. A música baseia-se na improvisão.

Mansum Ibragimov, cantor de ópera mugham, considera que tanto a música clássica como o mugham constituem referências artísticas importantes no país:

“Ambas têm tradições antigas. A música clássica e a música mugham têm o mesmo valor para o povo do Azerbaijão. As raízes da nossa música vêm do mugham. É por isso que queremos mostrar esta obra-prima a todos os grandes músicos que se encontram aqui”.

A pianista turca Idil Biret, premiada com o prémio Chopin e o Diapasão de Our, em França, tocou pela primeira vez no Festival de Gabala.

“Penso que as montanhas e a beleza que nos rodeia nos inspiram, é impossível não ficar inspirado pelo que vemos aqui”, disse Idil Biret.

A orquestra sinfónica de Jerusalém
é a convidada de honra do Festival.
O maestro britânico Jan Latham-Koenig dirige a orquestra israelita no ano em que o conjunto celebra 75 anos.

“Uma das coisas que aprendi como músico é que não devemos subestimar o público. As pessoas não são idiotas, podem não saber muito sobre as obras ou a música mas têm um instinto e percebem o que estamos e tentar fazer e sabem se o fizemos bem ou não”, garante Jan Latham-Koenig.