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Tony Parker: "Não somos favoritos, mas podemos criar surpresas"

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Tony Parker: "Não somos favoritos, mas podemos criar surpresas"

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Estamos apenas a um mês do início do Europeu de basquetebol, na Eslovénia. A Espanha, campeã em título, tem pela frente outros pesos pesados como a França, finalista derrotada há dois anos.

Será a altura da desforra? Os adversários na fase de grupos parecem fáceis, mas a equipa francesa continua muito apoiada na grande estrela, Tony Parker.

Três vezes campeão da NBA com os San Antonio Spurs, Parker foi o primeiro europeu a ser eleito melhor jogador das finais, em 2007.

Foi ainda selecionado cinco vezes para o “All Star Game”. Ganhou tudo o que havia para ganhar na NBA, mas continua à procura de um título com a seleção.

Tony Parker falou em exclusivo à euronews sobre os desafios da seleção francesa, mas também sobre os Spurs e o mito de que a equipa de San Antonio está envelhecida.

Vincent Ménard, euronews:

Tony Parker, disputou uma longa temporada, porque atingiu a final da NBA com a sua equipa. É um dos jogadores com mais encontros esta época. Como se sente no início desta preparação para o campeonato da Europa, que começa daqui a um mês na Eslovénia?

Tony Parker:

Estou bem. O treinador preparou um programa especial, para que não me canse muito nos primeiros dias. O importante é estar em forma a 4 de setembro para o primeiro jogo. Vou devagarinho, para recuperar a forma e estar a 100% no primeiro jogo.

euronews:

A fase de grupos é acessível, tiveram um bom sorteio…

Tony Parker:

É verdade que é diferente, em relação a há dois anos. O nosso grupo então era muito forte. Agora, temos um grupo mais acessível, mas sabemos bem que num campeonato europeu ou numa grande competição como esta, todas as equipas são perigosas.

euronews:

Há dois anos, a França perdeu a final do Euro, contra a Espanha. Este ano, o único objetivo é a medalha de ouro?

Tony Parker:

Não, penso que este ano não somos favoritos, porque temos muitos ausentes. Mas podemos criar a surpresa. Somos uma equipa jovem, com muitas novidades, muitos jogadores que estão pela primeira vez na seleção. Por isso vai ser preciso criar química. Vou fazer o papel de irmão mais velho e ver no que é que isso dá. Não temos a mesma equipa que tínhamos há dois anos.

euronews:

Para si, quem são os favoritos deste Euro?

Tony Parker:

A favorita continua a ser a Espanha. A Eslovénia também é forte e joga em casa. Os sérvios são também muito bons.

euronews:

Há muitas ausências entre os pivots da equipa: Noah, Turiaf, Mahinmi ou Traoré. É possível vencer o euro sem uma presença forte neste setor?

Tony Parker:

É pena que não possam vir. Cada um tem o seu programa e eu respeito isso, não há problema. Temos que nos concentrar no que temos.

O Alexis Ajinça progrediu muito, para mim é a grande surpresa. É um jogador completamente diferente do que vi, quando o vi jogar pela primeira vez em 2009. Vamos ver como corre.

Geoffrey Lauvergne também é um jovem excelente que acaba de passar no “draft” da NBA. Joga com uma grande energia, vamos ver que tal se porta nos próximos jogos amigáveis.

euronews:

Os espanhóis também têm ausências, como Pau Gasol, Juan Carlos Navarro e Serge Ibaka. Este é o ano ideal para os derrotar?

Tony Parker:

Sim, mas não deixam de ser bons. Há jogadores novos muito bons. Marc Gasol, Rubio, Calderón… É uma grande equipa, vamos ver.

euonews:

A Espanha é a vossa “bête noire”: Venceram a França há dois anos na final do Europeu e no ano passado nos quartos de final dos Jogos Olímpicos. Qual é a chave para os fazer cair do pedestal?

Tony Parker:

Penso que temos de continuar a progredir. Não estamos longe. Tenho a impressão de que todos os anos progredimos e tornamo-nos uma melhor equipa. Espero que este seja o nosso ano.

euronews:

Já ganhou tudo com os Spurs. Foi três vezes campeão da NBA e foi o melhor jogador das finais em 2007. O que lhe falta hoje? Um grande título com a seleção francesa?

Tony Parker:

Sim, com certeza. A nossa medalha de bronze em 2005 foi a primeira medalha em 50 anos. Em 2011, fizemos o melhor resultado de sempre, ao irmos à final.

Falta a última etapa, o último degrau, que é o mais difícil e vamos tentar. Não vai ser fácil, mas vamos tentar.

euronews:

Faz parte da seleção francesa desde 2000 e dá mostras de um grande amor à camisola. Tem vontade de continuar até aos Jogos Olímpicos no Rio, em 2016?

Tony Parker:

Até 2016, vou jogar e é sempre um grande prazer jogar pela seleção francesa.

euronews:

É um dos desportistas preferidos dos franceses, mesmo se vive e trabalha nos Estados Unidos durante a maior parte do ano. Como explica essa popularidade?

Tony Parker:

Para já, venho a França todos os verões, passo cá três meses por ano e tenho um grande orgulho em jogar com a camisola da seleção francesa. Através do meu investimento no ASVEL (Lyon-Villeurbanne), a participação na seleção e em toda a publicidade que faço, é isso que explica a popularidade.

Os campos de basquetebol também ajudam. Todos os anos, recebo mais de 530 jovens.

euronews:

Na primavera passada, perdeu a final da NBA, no sétimo jogo contra os Miami Heat. Conseguiu digerir esta deceção?

Tony Parker:

Não, penso que nunca vamos poder digerir uma derrota como esta. É claro que foi difícil, mas agora tenho que virar a página e concentrar-me na seleção.

euronews :

Dizem que os Spurs são uma equipa em envelhecimento. Tim Duncan tem 37 anos, Manu Ginobili tem 36. É possível conseguir um novo título da NBA com esta geração?

Tony Parker:

Vocês, jornalistas, é que gostam de dizer isso. Nós, todos os anos, concentramo-nos e acreditamos sempre que podemos ir até ao fim. No próximo ano vai ser a mesma coisa.