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Gibraltar volta a manchar relações entre Londres e Madrid

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Gibraltar volta a manchar relações entre Londres e Madrid

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Este fim de semana, as autoridades espanholas decidiram intensificar os controlos na fronteira com Gibraltar e anunciaram a possibilidade de aplicar uma taxa de 50 euros nas portagens. Oficialmente trata-se de uma medida de luta contra o contrabando. No entanto, Gibraltar, território sob controlo britânico, fala em retaliação contra a decisão de construir um recife artificial. Algo que para Espanha tem como objetivo impedir o acesso dos pescadores espanhóis.

Para já, quem sofre são os que diariamente atravessam a fronteira para trabalhar. “Eles têm de resolver a situação. Nós, os trabalhadores, não temos culpa pelo que acontece aqui, os políticos é que são os responsáveis”, lança uma senhora presa nos engarrafamentos.

Porta de entrada no Mediterrâneo, Gibraltar é um território estratégico. Conhecido como “o Rochedo”, foi cedido por Espanha à Grã-Bretanha em 1713, no Tratado de Utrecht, como parte do pagamento da Guerra da Sucessão Espanhola. Mas Madrid reclama há décadas a reintegração do território. Nos anos 70 e até 1985, o general Franco ordenou mesmo o fecho da fronteira. No entanto, Londres não cede. O analista e diplomata José Maria Ridao explica porquê: “A razão básica é que Gibraltar é um território britânico como resultado de uma conquista e a Espanha considera que essa conquista não dá o direito ao Reino Unido de manter a soberania sobre o território”.

Londres não quer perder essa conquista. As autoridades britânicas destacam a oposição dos cerca de 30 mil habitantes de Gibraltar que, por duas vezes, se pronunciaram, em referendo, para ficar ao lado dos britânicos. A última foi em 2002, quando 98 por cento da população respondeu “Não” à pergunta “Gostaria de partilhar a soberania com a Espanha?”.

As reivindicações territoriais de Madrid persistiram. Por momentos, espanhóis e britânicos decidiram pôr de parte a questão da soberania para melhorar a vida dos habitantes de Gibraltar. Em 2006, houve um Fórum Tripartido; em 2009, pela primeira vez em 300 anos, um chefe da diplomacia espanhola foi a Gibraltar participar em conversações para estreitar relações.

No entanto, Madrid adotou uma postura mais rígida desde a chegada ao poder do Governo de direita de Mariano Rajoy, em finais de 2011. Na origem das recentes tensões, está a construção do recife artificial em águas reclamadas por Espanha. Um gesto que não agradou de todo ao Executivo conservador, determinado em defender os direitos dos pescadores espanhóis.