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Tunísia em plena divisão política e social

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Tunísia em plena divisão política e social

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A crise política volta a fraturar a Tunísia, dois anos e meio após a Revolução que derrubou o regime autocrático do ex-presidente Ben Ali. A classe política e o povo encontram-se profundamente divididos. Durante o dia, uma calma aparente reina na praça de Bardo, em frente ao palácio da Assembleia Nacional Constituinte, em Tunes. À noite, o local é palco de protestos. A praça de Bardo é o espelho das divisões da sociedade tunisina. Há barreiras de arame farpado a separar dois campos: de um lado, os apoiantes do partido islamita no Governo, o Ennahda; do outro, os opositores.

A tensão é palpável e a inquietação dos habitantes aumenta de dia para dia, como comprovam as palavras desta tunisina: ‘‘Não estou apenas preocupada, estou angustiada. Isto é insuportável, não consigo viver assim”. Há quem veja a solução na religião: “Há muitas pessoas a reclamarem a separação entre a religião e o Estado, mas eu não concordo. Acredito que a solução passa pela religião e pelos movimentos religiosos”, resume um tunisino.

Na arena política, o braço-de-ferro entre o Governo e a oposição endureceu nas últimas duas semanas. Em causa, o assassínio do deputado da oposição laica Mohamed Brahmi, a 25 de julho. Em fevereiro, um outro opositor, Chokri Belaïd, foi abatido a tiro. Os crimes foram atribuídos aos islamitas radicais e o Executivo é acusado de ser o responsável pela emergência do movimento “jihadista”. O conflito político agravou-se quatro dias após o assassínio de Brahmi, com uma emboscada na fronteira argelina a provocar a morte de oito soldados. Esta é uma zona onde um grupo com ligações à Al-Qaeda está ativo desde dezembro.

O escalar da violência atribuída aos islamitas radicais gerou receios da repetição de um cenário semelhante ao ocorrido na Argélia, nos anos 90. Uma hipótese pouco provável, de acordo com o analista tunisino, Alayya Alani: ‘‘Penso que é difícil imaginar um cenário na Tunísia semelhante ao ocorrido nos anos 90 na Argélia por uma razão muito simples: aqui o exército não está envolvido na vida política e a sociedade civil – sendo esta a diferença entre a Tunísia e Argélia – quer proteger o processo democrático e ter eleições, estando confiante que ganhará nas urnas”.