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Presidente da Geórgia culpa a Rússia pela guerra de 2008

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Presidente da Geórgia culpa a Rússia pela guerra de 2008

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A guerra entre a Rússia e a Geórgia só durou cinco dias, mas cinco anos depois as feridas ainda estão abertas. Apesar do cessar-fogo, o conflito político persiste.

Esta quinta-feira, o dia foi de homenagem às vítimas, tanto na cidade de Tskhinvali, na Ossétia do Sul, como na capital georgiana, Tblissi, assim como em Moscovo. Os números variam, mas terá havido entre algumas centenas e 1600 mortos civis. Mais de 150 mil pessoas foram obrigadas a fugir de casa.

Na noite de 7 para 8 de Agosto de 2008, a partir da cidade de Gori, a Geórgia lançava uma ofensiva militar para retomar o controlo da Ossétia do Sul, a região que – juntamente com a Abecásia – se tinha separado da Geórgia no início da década de 90. Moscovo respondeu com uma importante operação militar, infligindo uma pesada derrota aos georgianos.

No final da guerra-relâmpago, Moscovo reconheceu a independência da Ossétia do Sul e da Abecásia, instalando mesmo tropas nestas regiões separatistas. Nas vésperas do quinto aniversário do conflito, a Rússia e a Geórgia lançaram-se numa acesa troca de acusações.

O presidente da Geórgia, Mikhail Sakashvili, atribuiu as culpas a Moscovo, garantindo que a guerra era inevitável. “A inevitabilidade da guerra entre a Geórgia e Rússia poderia ter sido evitada apenas se a Geórgia se tivesse tornado um Estado falhado e se tivesse cedido às exigências da Rússia, não em 2008 nem em 2007 mas a partir de 2004 ou mesmo no final de 2003”, declarou Sakashvili numa entrevista televisiva.

O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev – que ocupava a chefia do Estado no momento do conflito – insistiu, num canal televisivo georgiano, que a intervenção militar foi a decisão certa. “Tomei esta decisão e acredito que era a coisa certa a fazer naquela situação específica”, disse.

Entre a Ossétia do Sul e a Geórgia persistem as barreiras de arame farpado, mas a paisagem política mudou. O Presidente georgiano vive momentos difíceis com um primeiro-ministro que defende a normalização das relações com Moscovo e não exclui a abertura de um inquérito sobre a forma como a guerra foi conduzida pela Geórgia.