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Como perdoar a Lazlo Csatary?

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Como perdoar a Lazlo Csatary?

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Não chegou a ser julgado o homem que foi o mais procurado suspeito de crimes de guerra nazis. O húngaro Lazlo Csatary faleceu aos 98 anos, vítima de uma pneumonia, num hospital de Budapeste. Era acusado de ser o responsável pela deportação de milhares de judeus para Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial.

Na verdade, Csatary já tinha sido julgado, mas à revelia, em 1947, sendo condenado à pena de morte. Desapareceu durante décadas, reapareceu no Canadá nos anos 90, mas voltou a evaporar-se até ser encontrado na Hungria. Como conseguiu contornar as autoridades durante tantos anos? É uma pergunta repetida várias vezes.

O rabino da Grande Sinagoga de Budapeste, Zoltan Radnoti, afirma que “ele era um homem perseguido e que, de certa forma, foi julgado antes de morrer.”

Depois de ter sido identificado e detido no ano passado, na sequência de uma investigação jornalística britânica, Csatary encontrava-se em prisão domiciliária. Um sobrevivente dos campos de concentração, Gusztav Zoltai, garante que não consegue perdoar, depois de ter perdido “17 familiares no Holocausto, incluindo os pais”. Se o fizesse, sublinha, seria como “profanar a memória, apesar de a reconciliação ser um dever.”

Csatary, antigo chefe da polícia de Kosice, na atual Eslováquia, era considerado responsável por atos de tortura, execuções, e pela deportação de mais de 15 mil judeus.