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Cenário de guerra na praça Rabaa al-Adawiya

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Cenário de guerra na praça Rabaa al-Adawiya

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O correspondente da euronews no Cairo esteve esta quarta-feira num dos pontos mais críticos dos intensos confrontos que se fazem sentir na capital do Egito. Evitando os snipers, que circundam o local, Mohammed Shaikhibrahim conseguiu entrar na praça Rabaa al-Adawiya e encontrou um cenário de autêntica guerra.

Com experiência de reportagem na Intifada palestina, há cerca de uma década, o nosso correspondente descreveu-nos este como sendo o pior cenário de conflito onde alguma vez esteve. À medida que a equipa da euronews ia registando em imagens a praça desde o interior, foi possível ver alguns apoiantes da Irmandade Muçulmana a reagir com pedras ao ataque das forças militares egípcias.

Num ponto diferente da praça, outros apoiantes do presidente deposto, Mohamed Morsi, ia recolhendo e preparando mais pedras, que, pelo que se percebia, eram as principais armas de resposta dos islamitas contra o exército. É, parece, uma guerra desigual, que já terá feito centenas de mortos.

O nosso correspondente procurou sentir o pulso às pessoas que estavam no interior da praça Rabaa al-Adawiya debaixo de fogo real e do ataque com gás lacrimogéneo, por parte do exército. Um apoiante da Irmandade Muçulmana relatou-nos que houve “aviões a sobrevoar a zona e a bombardear granadas de gás”. “Por todo o lado, estão atiradores, snipers, a disparar sobre nós com munições reais”, acusou este apoiante da Irmandade Muçulmana.

A verdade é que o cenário era sangrento na praça Rabaa al-Adawiya. O nosso correspondente viu com os próprios olhos alguns dos mortos, resultantes dos confrontos entre islamitas e forças da ordem. Mas Mohammed Shaikhibrahim viu também a determinação dos muçulmanos em manterem-se no local e defenderem a posição. “Os apoiantes da Irmandade Muçulmana mantêm-se unidos, a defenderem-se, na Praça Rabba al-Adawiya, onde os confrontos duram há várias horas. Como se pode perceber, os tiros surgem de todos os lados ao redor aqui da praça”, reportou o nosso correspondente.

Após o ataque com gás lacrimogéneo pelas forças do exército sobre a Praça Rabaa al-Adawiya, Mohammed Shaikhibrahim teve de receber assistência. O nosso correspondente garantiu-nos que este não era um tipo de gás normal porque não irritava apenas os olhos, mas Mohammed recuperou e assegurou-nos que ficou bem.