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Egito: Um país em Estado de emergência após um novo banho de sangue

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Egito: Um país em Estado de emergência após um novo banho de sangue

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A intervenção da polícia egípcia para desalojar os apoiantes de Mohammed Morsi termina num banho de sangue e na reposição do Estado de emergência em todo o país.

De acordo com fontes oficiais, a polícia conseguiu controlar a segunda praça do Cairo, a Rabaa al-Adawya, ocupada há seis semanas pelos manifestantes islamitas. Mas o uso excessivo da força levou à demissão de Mohammed ElBaradei do cargo de vice-presidente. O prémio Nobel considera que havia meios pacíficos para por fim à crise política.

Ao mesmo tempo que o Estado de emergência, o governo decretou o recolher obrigatório em 12 das 27 províncias, entre as 19 horas e as seis da manhã. A decisão afeta, por exemplo, o Cairo, Alexandria e Suez.

O Estado de emergência entrou em vigor às 16 horas, locais, e vai durar pelo menos um mês. Mas a decisão foi contestada pelos Estados Unidos, que pedem aos militares que respeitem os direitos humanos mais básicos do povo.

Segundo as autoridades, foram detidas 540 pessoas e o balanço de vítimas continua a ser provisório. A meio da tarde, o ministério da Saúde fala já de 278 mortos e cerca de 2 mil feridos em todo o país. Mas a Irmandade Muçulmana, movimento ao qual pertence o presidente deposto a 3 de julho, evoca 2200 mortos e dez mil feridos. Não há confirmação independente.

Entre as vítimas mortais encontram-se vários membros das forças da ordem, um operador de câmara da televisão britânica SKYNews, uma jornalista do grupo Gulf News, dos Emirados Árabes Unidos, e as filhas de dois dirigentes da Irmandade Muçulmana. Uma delas é Asma el Beltagui.

O pai, Mohammed el Beltagui, cuja detenção foi anunciada e desmentida por várias vezes, acusou o exército de estar a conduzir o Egito para a guerra civil e deixou um apelo internacional: “se não intervirem, toda a comunidade internacional será cúmplice do massacre dos egípcios”.

A comunidade internacional é unânime em condenar a violência no Egito. Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU, lamentou que as autoridades tenham escolhido a força para responder aos protestos. A União Europeia pede contenção a todas as partes. Mas a reação mais marcante veio da Turquia, que pede a intervenção da ONU e da Liga Árabe para pôr fim ao que chama de “massacre”.

A intervenção policial no Cairo atiçou os ânimos em todo o Egito.

Várias igrejas coptas foram atacadas em todo o país. Em Alexandria, segundo a televisão egípcia, os manifestantes islamitas atacaram a Biblioteca da cidade. Há confrontos e mortos em Fayoum e na província de Suez.

O tráfego ferroviário de e para o Cairo está suspenso e os locais turísticos como as Pirâmides ou o Museu do Cairo estão fechados.

Tudo começou de madrugada, com as forças da ordem, depois de vários dias de ameaças, a avançarem contra os acampamentos erguidos e barricados há seis semanas. As autoridades acusam os membros da Irmandade Muçulmana de serem “terroristas”, de terem armazenado armas nos acampamentos e usado mulheres e crianças como “escudos humanos”.

Os islamitas exigem o regresso ao poder do presidente islamita Mohamed Morsi, eleito em junho de 2012 nas primeiras eleições livres no país. Foi deposto a 3 de julho e encontra-se detido, em local indeterminado. A sua detenção foi prolongada esta semana por mais 15 dias.

  • Cairo ‘War zone’ 14/08/2013

    Anadolu agency


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