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Estados Unidos e Turquia exigem passo atrás ao Egito

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Estados Unidos e Turquia exigem passo atrás ao Egito

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Os Estados Unidos e a Turquia assumiram-se como duas das vozes mais críticas, entre a comunidade internacional, na condenação da violência que esta quarta-feira manchou de sangue o Egito. Washington apela ao fim do Estado de Emergência decretado pelo governo interino egípcio, em consequência dos mortíferos confrontos que alastraram por todo o país após uma intervenção militar concertada com a polícia.

As forças militares egípcias pretendiam pôr fim às manifestações islamitas pró-Mohamed Morsi, o dirigente da Irmandade Muçulmana cuja deposição da presidência do Egito serviu de rastilho para os confrontos desta quarta-feira, cujo balanço oficial mais recente dá conta de mais de 270 mortos em todo o país – 43 deles polícias, destacou o atual ministro do Interior egípcio Mohammed Ibrahim. Os registos do Ministério da Saúde apontam ainda para mais de 2 mil feridos.

O secretário de Estado norte-americano, numa comunicação improvisada à imprensa, apelou a uma solução diplomática para o conflito entre as forças militares que assumiram os destinos do pais e os apoiantes do presidente muçulmano deposto no mês passado. “Os eventos de hoje são deploráveis e chocam com as aspirações do Egito em ter paz, em promover a inclusão e também uma democracia genuína. Os egípcios, tanto os que são a favor como os que são contra o governo, têm de dar um passo atrás. É preciso acalmar a situação no país e evitar mais perdas de vida”, afirmou John Kerry, em Washington.

A Turquia também condenou de forma oficial a reação violenta das forças militares egípcias contra os manifestantes pró-Morsi. Em Istambul, milhares de manifestantes protestaram junto a uma mesquita em solidariedade com os islamitas egípcios.

O presidente turco, em Ancara, mostrou receio de que suceda no Egito um caso similar à Síria e, por isso, considerou “a intervenção armada sobre civis a manifestarem-se completamente inaceitável”. “Fossem qual fossem as razões que motivaram esta intervenção militar, ações deste tipo podem abrir portas a consequências muito perigosas”, avisou Abdullah Gul.

O apoio dos islamitas turcos à Irmandade Muçulmana egípcia fizeram-se sentir igualmente em Ancara, onde também se ouviram gritos de apoio a Mohamed Morsi.