This content is not available in your region

Detroit: urbanidade ao rubro

Access to the comments Comentários
De  Euronews
Detroit: urbanidade ao rubro

<p>Já lhe chamaram a cidade mais disfuncional dos Estados Unidos, disseram que “se Detroit fosse um Estado, seria um Estado falhado” e agora receia-se que comece a pagar dívidas com quadros de Caravaggio e Van Gogh do seu museu (só a avaliação dos quadros fica em 200 mil dólares (cerca de 151 mil euros). </p> <p>O fim da industria automóvel e a debandada da Motown foram dos principais capítulos do fim do sonho americano na emblemática cidade do Michigan. </p> <p>O que é certo é que Detroit está na bancarrota, deve 15 mil milhões de euros; mas também é verdade que é uma cidade com alma que tenta, desesperadamente sobreviver.<br /> Além da solução de “vender os anéis para ficarem os dedos”, soluções mais imaginativas estão a suscitar bastante interesse, nomeadamente o projeto Detroit Urbex, de um grupo de cidadãos que nasceu como associação, já com site próprio (<a href="http://detroiturbex.com/index.html" rel="external">detroiturbex.com</a>) e <a href="https://www.facebook.com/pages/Detroiturbexcom/109210839112636" rel="external">página no Facebook</a>.</p> <p>O projeto oferece uma via fácil e segura para viajar, por todo o lado, nesta cidade incrível – comparar o passado, o presente e o futuro.</p> <p>Visa satisfazer entusiastas da história, académicos, arquitetos, estúdios de cinema, investigadores, urbanistas, artistas, músicos e simples curiosos sobre Detroit, acomodando pessoas de todas as esferas da vida e de todo o mundo.</p> <p>“Click a click” entra-se em qualquer igreja ou escola, universidade ou fábrica, como numa viagem do tempo, um espelho sempre com reverso, entre o passado e o presente, <a href="https://www.facebook.com/photo.php?fbid=631125150254533&set=a.495883453778704.117334.109210839112636&type=1&theater" rel="external"> com imagens e respetiva história dos locais fotografados</a>. </p> <p>A cidade erguida para dois milhões de habitantes tem hoje um pouco mais de 600 mil. Está despovoada e semidestruída.</p> <p>A loucura pelos automóveis que sorviam “galões” de gasolina, nos anos 50, e que, com a indústria rumou ao desenvolvimento e era habitade por gente feliz, pavimentou a ruína. </p> <div id="slides" dir="ltr"><ul class="slides_container"><li class="slide"><div class="caption"><h2>Eastown Theater, Detroit. 2009</h2><p><a href="http://detroiturbex.com/index.html" rel="external">detroiturbex.com</a></p></div><img src="https://static.euronews.com/articles/235524/606x404_eastown-theater-before-detroiturbanex.jpg"></li><li class="slide"><div class="caption"><h2>August 2010</h2><p><a href="http://detroiturbex.com/index.html" rel="external">detroiturbex.com</a></p></div><img src="https://static.euronews.com/articles/235524/606x404_eastown-theater-after-detroiturbanex.jpg"></li><li class="slide"><div class="caption"><h2>November 2010</h2><p><a href="http://detroiturbex.com/index.html" rel="external">detroiturbex.com</a></p></div><img src="https://static.euronews.com/articles/235524/606x404_eastown-theater-after-after-detroiturbanex.jpg"></li></ul><a href="#" class="prev"></a><a href="#" class="next"></a></div> <p>Detroit tem uma área maior do que as cidades de São Francisco, Boston e Manhattan juntas. Hoje, as casas que os proprietários não conseguiram pagar e que tiveram de abandonar, ficaram à venda tantos anos que acabaram por ser assaltadas e vandalizadas, o que agrava ainda mais a imagem de devastação em bairros inteiros. </p> <p>Mas há sempre faces positivas <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Prisma.jpg" rel="external">no prisma</a>.</p> <p>Este lado menos glorioso da humanidade tem sido palco de séries e filmes que ficaram para a história do cinema, como “O Caça-Polícias” (1984), “Amor à Queima Roupa” (1993) O Corvo, de 1994, filme marcado pela morte de Brandon Lee, filho de Bruce Lee, por acidente: a bala com que devia ter sido atingido não devia ter pólvora…mas, por engano, tinha três vezes mais e foi disparada a curta distância. Demasiada. </p> <p>O filme de Sofia Coppola “Virgens Suicidas” (1999), destaca a sobrevivência interior à força de defender uma árvore no jardim da casa, uma ilusão de uma América que cai na desgraça. Eminem tenta ser o maior rapper da cidade em “8 Mile” (2002); “Gran Torino” (2008), de Clint Eastwood procura dizer-nos que as pessoas às vezes redimem-se e ajudam-se umas às outras, mas não é certo; e “Robocop”: o quarto filme da série aborda a utilização de drones pela polícia (o primeiro filme da série foi realizado em 1987). </p> <p>Agora, uma nova série instala-se na cidade americana que declarou falência e testemunha o êxodo da população: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=UHt4CleZVW8" rel="external">Low Winter Sun</a></p> <p><iframe width="560" height="315" src="//www.youtube.com/embed/UHt4CleZVW8" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p> <p>O êxodo faz com que o espaço, só por si, represente muito. Como explicou a realizadora do primeiro episódio, Catherine Hardwicke, ao “New York Times”, “é impossível não fazer coisas boas aqui, num passeio a pé ou de carro vemos sucessivos cenários que são inspiradores e tristes, tudo ao mesmo tempo”.</p> <p>Mark Strong, que desempenha o papel principal, <a href="http://www.amctv.com/shows/low-winter-sun" rel="external">apaixonou-se pela cidade e defendeu no “Detroit News” </a>que “quando dizia às pessoas que ia trabalhar para Detroit, o primeiro comentário era sempre que seria muito perigoso. Agora dou por mim a falar sobre a cidade a toda a gente, descubro que os que pior falam são os que nunca lá estiveram”.</p>