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Merkel tenta brincar mas é obrigada a levantar a voz

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Merkel tenta brincar mas é obrigada a levantar a voz

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Está na rua a campanha eleitoral pelo lugar de Chanceler da Alemanha, cujas eleições estão marcadas para 22 de setembro. A cinco semanas da ida às urnas, a ainda dona do lugar, Angela Merkel, parece apostada em suavizar a imagem fria que lhe apontam. Uma das brochuras de campanha revela imagens e informações da vida privada da Chanceler como a paixão por jardinagem e sopa de batata além de alguns dos segredos por trás do alegado êxito do seu casamento.

Esta quarta-feira, Merkel tentou mesmo brincar no discurso que proferiu na vila rural de Seligenstadt, no coração da Alemanha, citando um dos pontos mais curiosos da agenda eleitoral dos rivais Verdes: o corte do consumo de carne pelo menos durante um dia da semana. A candidata pelo partido CDU, os conservadores cristãos democratas, foi, porém, obrigada a falar bem alto devido aos ruidosos apitos que cerca de 50 jovens apoiantes do SPD, a segunda força política da Alemanha, lhe dirigiram.

Foi com a voz bem projetada, e a habitual cara de poucos amigos a ofuscar o humor do discurso, que Angela Merkel lançou o não muito bem conseguido desafio aos presentes no comício de Seligenstadt: “Têm de decidir, agora, se é mais importante para vocês e para a vossa vida que alguém vos diga para não comerem carne à quinta-feira ou se o mais importante é que tenhamos tido sucesso nestes últimos oito anos, enquanto fui chanceler, e não haver mais de cinco milhões de desempregados [na Alemanha], mas sim, menos de três milhões.”

A plateia ouviu Merkel e aplaudiu de forma entusiasta a candidata dos conservadores, e grande favorita à reeleição. O grupo rival afeto aos sociais democratas não baixou, porém, os protestos e, dos apitos, passaram aos gritos “Merkel, fora!”

Também já em campanha, os Verdes partem para esta campanha com apenas 13 por cento de preferências nas sondagens contra os mais de 41 por cento da CDU, da atual chanceler. E a expetativa de subir nas sondagens não é grande. Para além da curiosa proposta de redução no consumo de carne, os Verdes defendem também um pouco popular aumento de impostos para as classes alemãs com mais posses.

O SPD, por fim, assume-se uma vez mais como a principal oposição à candidatura da atual Chanceler. Os sociais democratas seguem com 26 por cento nas sondagens, mas a fraca fraca popularidade de Peer Steinbruck, o candidato escolhido pelo SPD, revela-se uma ameaça para o partido nas eleições de 22 de setembro.