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Líbano em estado de emergência

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Líbano em estado de emergência

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O Líbano está em estado de emergência, depois do atentado mais sangrento dos últimos 30 anos. O ataque constitui uma advertência ao Hezbollah. Prova também que o conflito sírio está a ultratrapassar as fronteiras e a atingir o Líbano.

É a segunda vez, num mês, que o sul da cidade de Beirute, bastião do movimento xiita, é atingido. O Hezbollah, movimento xiita libanês, é um aliado do regime do presidente Bashar al-Assad e combate ao lado das tropas de Damasco a rebelião na Síria.

O atentado foi reivindicado pelas “Brigadas de Aicha Um al Muminin” com a mensagem: “Hassan Nasrallah, como não queres compreender, enviamos-te uma segunda mensagem, mais potente.”

O líder histórico do Hezbollah defendeu as diferentes rebeliões da primavera árabe mas, no conflito sírio, fez uma opção diferente, que explica:

“Tomámos a decisão, pouco importa se é um pouco tardia, de nos envolvermos no conflito para impedir o triunfo da conspiração contra a Síria. Trata-se de uma decisão amadurecida e pensada.”

Muitos militantes do Hezbollah combatem ao lado do exército sírio. Esta ajuda foi fundamental para recuperar a cidade de Qousseir, no princípio do verão. O Hezbollah não está interessado numa mudança de regime na Síria.

Por sua vez, os rebeldes sírios do chamado “exército livre” identificaram claramente os inimigos. Num vídeo divulgado em junho, são exibidos os documentos de identidade de quatro libaneses mortos ao tentarem entrar na Síria.

No entanto, esses mesmos rebeldes garantem que não têm qualquer responsabilidade nos atentados no Líbano. Nos últimos meses, foram frequentes os confrontos e as tensões entre os grupos islamitas sunitas, inimigos do regime sírio, o Hezbollah e o exército libanês.

Estas tentativas de destabilização do país têm uma forte conotação política porque, por trás dos atentados contra o Hezbollah, paira a sombra de Israel – que também negou qualquer responsabilidade pelos ataques.

Para complicar um pouco mais a teia de interesses geoestratégicos na região, saliente-se que o Irão mantem a aliança com o movimento xiita Hezbollah que apoia o regime sírio.