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Al-Sissi: conciliador ou estratega?

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Al-Sissi: conciliador ou estratega?

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O Egito vive momentos de caos e pode mesmo estar à beira de uma guerra civil. Os dois lados, que se confrontam, estão determinados a não ceder e a violência aumenta. 750 mortos, em quatro dias. A feroz repressão do exército contra os islamitas pró-Morsi faz-se em nome do povo egípcio e da estabilidade.

É, pelo menos isso que defende Al-Sissi, o homem por detrás dos militares:

“A vontade do povo egípcio é a liberdade, quer ser livre, escolher quem quer que o governe e nós somos os guardiões desse testamento. A honra de proteger a vontade do povo é mais valiosa para nós, e para mim, pessoalmente, do que a honra de governar o Egito, juro-o por Deus.”

Um discurso partilhado por aqueles que não são partidários da Irmandade Muçulmana e que acreditam que Al-Sissi é o homem que vai trazer a paz ao país.

“Estamos com Sissi de alma e coração e com quem trouxer a reconciliação ao Egito. Apoiamos cada pessoa que ajudar a consegui-lo”, afirma um apoiante de Al-Sissi.

Mas o que pretende, verdadeiramente, o homem que foi trazido pelo próprio Presidente Morsi? A paz? A reconciliação? O respeito pela vontade do povo? Ou manter o poder que foi dado, através de eleições, a mãos civis?

Al-Sissi apoiou-se num movimento de contestação, depois de um ano de governo islâmico, para assumir as rédeas do país. E exortou a população a apoiá-lo e a denunciar a violência.

Violência que continua a gerar mais violência. Há quem acredite que ele é o líder que vai restaurar a ordem. Mas há quem pense, também, que criar a confusão é a melhor forma de assumir o poder. Para os que o defendem Al-Sissi quer reerguer o país, para os outros trata-se de uma estratégia, bem estruturada, “dividir para reinar”.

Al-Sissi chama os islamitas de terroristas. É um devoto religioso e instaurou os testes de virgindade depois de queixas de violação apresentadas por mulheres, em março de 2011.