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Gibraltar: Espanha e Reino Unido de costas voltadas

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Gibraltar: Espanha e Reino Unido de costas voltadas

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Coincidência ou provocação? A chegada, esta segunda-feira, de uma fragata da Marinha Real ao enclave britânico de Gibraltar não passou despercebida.

Veio para participar em operações militares no Mediterrâneo, uma iniciativa que acontece numa altura de crescentes tensões entre Londres e Madrid, que lutam pela soberania do “Rochedo”.

No centro deste braço-de-ferro estará a pesca. No domingo, pescadores espanhóis, manifestaram a sua indignação tentando entrar nas disputadas águas. Em causa: o fim da construção, em julho, de um recife artificial, em Gibraltar, para criar uma reserva marinha. Os pescadores espanhóis têm outra explicação:

“Havia ali uma área rica em marisco e pesca e eles colocaram lá enormes blocos de cimento para que não possamos voltar a pescar”, afirma um deles.

Em reação, Madrid aumentou o controlo na fronteira com o enclave, provocando filas de carros ainda maiores. Para quem tem de passar de um lado ao outro é inaceitável:

“Nós vimos muitas vezes e a espera era aceitável. Mas hoje é horrível. Perdemos uma manhã na fila”, afirma um turista.

Já para uma mulher que trabalha em Gibraltar a situação é ainda pior:

“O controlo é cada vez mais apertado. Acho que é uma falta de respeito para com os trabalhadores. Somos 10 mil a passar a fronteira para trabalhar. E há os habitantes locais, 15 mi pessoas que vêm gastar dinheiro em Espanha. Por isso, são 25 mil as pessoas afetadas por este controlo.”

Por seu lado, a Grã-Bretanha denuncia ações contrárias ao direito de livre circulação na União Europeia. Sexta-feira, Londres pediu a Bruxelas para enviar, com urgência, observadores para o terreno.
Mas Espanha defende-se lembrando que nem Gibraltar nem o Reino Unido são membros do espaço Schengen e que o controlo, para lutar contra o contrabando de cigarros, em particular, que faz perder dezenas de milhões de euros em impostos aos espanhóis, é necessário.

Perante o cenário de crise económica, a prosperidade do “Rochedo”, com um crescimento de quase 8% no ano passado, não é bem vista por Madrid que perde investidores que procuram as vantagens fiscais deste enclave.

Há uma década a tensão entre os dois países era menor. Agora aumenta de dia para dia. A imprensa conservadora espanhola insurge-se mesmo contra a nova obra, ao largo da costa leste do “Rochedo”, que vê como mais uma provocação.