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Carrascos diante da câmara em "The act of killing"

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Carrascos diante da câmara em "The act of killing"

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O filme de Joshua Oppenheimer retrata o massacre de um milhão de pessoas em 1965 na Indonésia.

No terreno, o realizador deparou-se com vítimas aterrorizadas, com medo de falar, e carrascos protegidos pelo poder que se ofereceram para encenar diante da camâra os massacres cometidos há 50 anos.

A purga anti-comunista ocorreu após o golpe militar liderado pelo general Suharto.

Os crimes em causa nunca foram investigados. Só depois do filme ter sido exibido, é que as autoridades indonésias decidiram lançar um inquérito. O realizador considera, no entanto, que pouco ou nada foi feito desde então. Os carrascos são figuras públicas consideradas hérois nacionais.

O filme é produzido por Werner Herzog e Errol Morris.

“Para mim não se tratava de fazer um relato histórico ou um projeto educativo sobre o genocídio.Ninguém liga a essas coisas.
O mais importante era o facto de estar num sítio onde os agressores continuavam no poder. Foi uma forma de compreender as histórias que nós podemos contar para justificar as nossas ações, a forma como criamos a realidade através dessas histórias. Na verdade estamos todos mais próximos dos carrascos do que gostamos de admitir”, disse Joshua Oppenheimer.

“Os meus avós são alemães, de Frankfurt e Berlim. Os pais da minha madrasta eram de Viena e escaparam ao Holocausto.
Mas alguns familiares não escaparam. Uma grande parte da família da minha madrasta morreu. Cresci com a ideia de que o objetivo da política e da moral e talvez até da própria cultura é impedir que essas coisas voltem a acontecer. E o slogan “nunca mais” corre o risco de ser reduzido a “nunca mais para nós”, acrescentou o realizador.