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Drogas legais que escapam ao cerco da Europa

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Drogas legais que escapam ao cerco da Europa

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É uma dor de cabeça para os políticos europeus: como enfrentar o uso crescente das chamadas drogas legais? E como é que as autoridades identificam os potenciais riscos para a saúde envolvidos no consumo das novas substâncias psicoativas?

Alguns países impuseram restrições, outros continuam permissivos. Em breve, Bruxelas deverá apresentar a nova regulamentação europeia que irá enquadrar estas drogas que são vendidas pela internet ou nas lojas conhecidas como “smartshops”.

A Letónia é um dos países que já decidiu avançar com medidas. Há uma lista de substâncias que se tornaram proibidas pelos perigos que representam. Mas a verdade é continuam a aparecer outras variedades – mais de uma por semana na Europa, em 2012.

Quanto a essas, a polícia letã nada pode fazer. O que está ao seu alcance é proceder a inspeções surpresa nas mais de 100 lojas que existem no país. As autoridades da Letónia admitem que exercem vários tipos de pressão para tentar limitar a atividade das lojas. Nos controlos, é frequente incluírem inspetores das Finanças ou da Câmara para apurar outras eventuais violações.

Andrejs Grisins, responsável policial, declara que “a luta contra as drogas legais, contra os novos narcóticos, é uma prioridade para a polícia, porque o que está em causa é a saúde dos nossos jovens. Porque são eles o alvo de quem vende estas substâncias. É crucial lutar contra isso.”

O número de surtos psicóticos e de mortes relacionados com o consumo de drogas legais aumentou exponencialmente em vários países. Em Portugal, foram proibidas 159 novas substâncias a partir do mês de abril.

Uma das questões é que não se sabe quais são os componentes de cada nova substância, o que impossibilita um tratamento médico adequado, caso surja um problema. Os laboratórios de análises químicas são cada vez mais chamados a apurar em que consistem exatamente as últimas drogas que saíram. Astrida Stirna, especialista em Medicina do Ministério da Saúde da Letónia, explica que “há jovens que fumam aquelas misturas de ervas, em casa ou na rua, e ficam num estado incontrolável. Eles são trazidos até nós em choque psicotrópico. Mas depois é difícil identificar com precisão o que é que eles consumiram, porque estão sempre a aparecer mais e não as conseguimos identificar a todas.”

Para além das novas leis e dos controlos policiais, os especialistas dizem que a resposta passa por um trabalho de prevenção que alerte para os riscos envolvidos. Uma das formas é ir diretamente às escolas, falar com os jovens, que é o que estão a fazer alguns trabalhadores da área da saúde na Letónia. Mas é também importante não deixar os pais fora da equação, como aponta Anna Auzina, do departamento sanitário da Câmara de Riga: “É óbvio que a educação é essencial. Mas depende maioritariamente da família, do que acontece no seio familiar. Se não houver apoio aí, os avisos dos especialistas não vão servir para nada, não vão ter impacto nenhum.”

A abordagem ao nível do controlo das drogas em si parece ser a mais adotada. Mas continua a ser muito alargado o período de tempo que vai desde o surgimento de uma substância, às análises que determinam se é ou não nociva, até à eventual interdição. Outro desafio é a comunicação célere dos resultados entre os diferentes países.