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Ataque da França/EUA à Síria é para "obrigar Al-Assad a negociar"

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Ataque da França/EUA à Síria é para "obrigar Al-Assad a negociar"

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A punição pelo alegado uso de armas químicas pelo governo da Síria poderá ser levada a cabo pela França e pelos Estados Unidos da América. Mas qual será o impacto no curso da guerra civil que dura há mais de dois anos?

A correspondente da euronews em Bruxelas, Audrey Tilve, colocou a questão a Arnaud Danjean, presidente da subcomissão de Segurança e Defesa do Parlamento Europeu.

O eurodeputado explicou que “quando se fala de ataques punitivos, tal quer dizer que não devem ter impacto nem sobre o regime -isto é, não visam derrubá-lo -, nem sobre o curso da guerra. De acordo com as palavras do primeiro-ministro francês Jean-Marc Ayrault, não se pretende libertar a Síria”.

“Penso que, de certa forma, seria mais coerente dizer que se quer obrigar Bashar Al-Assad a negociar e a parar os massacres de todo o tipo, químicos ou convencionais. Trata-se de lançar uma grande operação enquadrada numa efectiva estratégia diplomática”, acrescentou.

O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, avisou que as consequências de tal ataque podem ser devastadoras para o Médio Oriente e promete retaliar contra qualquer intervenção estrangeira.

Arnaud Danjean diz que “todos os ditadores prometem coisas terríveis de cada vez que outros países ameaçam atacá-los, mas não dou muita importância a isso. Pelo contrário, o que é evidente é que a região é um barril de pólvora e que as possíveis consequências disso para a região, especialmente no Líbano, podem ser desastrosas”.

E o que dizer do papel da União Europeia, sobretudo agora que o governo britânico recuou na intervenção devido ao veto do parlamento nacional? O eurodeputado fala de precipitação de Londres e mesmo de Paris.

“No instante em que na Europa se fala de opções militares, isso afasta de imediato uma série de países que não têm nem os meios, nem a vontade, nem a experiência para o fazer. E tal impede a criação de uma solução europeia verdadeiramente coletiva. Penso que a França e o Reino Unido são os grandes responsáveis pelo afastamento da União Europeia deste episódio na crise da Síria”, afirma o presidente da subcomissão de Segurança e Defesa do Parlamento Europeu.

A situação na Síria será, contudo, analisada pelos ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros dos 28 estados-membros, no final da semana. Mas é da reunião do G20, na mesma altura, na Rússia, que se esperam avanços concretos.