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Oradour-sur-Glane, a aldeia mártir

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Oradour-sur-Glane, a aldeia mártir

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Estas são ruínas que falam e contam a história do maior massacre feito pelos nazis na França ocupada. A 10 de junho de 1944, Oradour-sur-Glane, perto de Limoges, torna-se numa aldeia-fantasma quando uma unidade das SS mata 642 pessoas, incluindo 207 crianças. Os militares iam em direção à Normandia para reforçar as defesas alemãs.

Quatro dias antes, tinha acontecido o dia D, o desembarque das tropas aliadas na Normandia. É o começo do fim da ocupação da Europa pelos nazis.

A segunda divisão blindada das SS, batizada divisão “Das Reich”, é chamada como reforço. A coluna militar para nesta aldeia, a 20 quilómetros de Limoges, por razões ainda hoje desconhecidas.

Os soldados juntam a população, depois separam as mulheres e crianças para um lado e os homens para o outro. Um dos grupos é conduzido para uma quinta. Robert Hébras, um dos sobreviventes, tinha então 19 anos: “Estou neste sítio com os meus camaradas. Ouve-se uma detonação e depois os tiros, começamos a cair uns sobre os outros. Cobrem-nos com tudo o que possa arder, feno, palha, e ateiam o fogo. Quando o fogo me começou a atingir, tomei a decisão de fugir”, conta.

A irmã e a mãe estavam entre as 207 crianças e 247 mulheres que foram gaseadas e queimadas na igreja da aldeia: “Para mim, o drama de Oradour está neste local. Foi aqui que as mulheres e crianças foram executadas friamente”, diz Hébras.

Heinz Barth, subtenente das Waffen SS, reconheceu no julgamento, em 1983, ter dado a ordem de abrir fogo e ter morto, pessoalmente, entre 12 e 15 aldeões. Foi o único participante no massacre a ser condenado, neste caso à prisão perpétua. Foi libertado em 1997, devido à idade avançada, e morreu 10 anos depois. Antes de ser julgado, viveu durante 40 anos sob identidade falsa, na RDA.

Foi também o único criminoso nazi a ser julgado na antiga Alemanha Oriental.

Jean-Marcel Darthout, outro sobrevivente, esperou muitos anos por um reconhecimento oficial do massacre, por parte dos alemães: “Finalmente, reconhecem que Oradour existiu. Porque, durante muitos anos, nada disto foi verdade para os alemães”

A aldeia nunca foi reconstruída. A pedido de De Gaulle, foi deixada em ruínas para perpetuar a memória. Uma nova aldeia foi construída ao lado.