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A solidão de Obama e a "derrota" de Merkel na cimeira do G20

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A solidão de Obama e a "derrota" de Merkel na cimeira do G20

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A cimeira do G20 dedicada à economia mundial transformou-se num braço de ferro entre Vladimir Putin e Barack Obama por causa da Síria. Os sorrisos de circunstância no momento em que o presidente russo recebeu o homólogo americano não escondem a tensão entre os dois dirigentes. Obama quer castigar o regime sírio por ter utilizado armas químicas, Putin defende o velho aliado. A questão síria acabou por entrar na agenda de trabalhos mas apenas no jantar desta quinta-feira e nos muitos encontros bilaterais à margem da cimeira. Depois, os líderes dos países do G20 vão dedicar o seu tempo em busca da melhor forma de relançar a economia mundial.

Nial O’Reilly:
Como vimos, as divisões sobre a Síria ensombram os objetivos de uma cimeira dedicada, antes de mais, a reforçar as relações entre as principais economias mundiais e os países emergentes para combater a crise económica. O nosso enviado especial, James Franey está na cimeira do G20 em São Petersburgo.

James, as posições divergentes dos Estados Unidos e da Rússia são conhecidas, relativamente a uma intervenção militar na Síria, mas muitos dos aliados europeus de Washington estão também contra este ataque… neste contexto podemos esperar algum consenso sobre a Síria?

James Franey:
Bem, penso que há poucas hipóteses de chegar a alguma forma de consenso sobre a Síria. Penso que o presidente Barack Obama vai sentir-se bastante só durante as discussões com os outros membros do G20. E isto porque mesmo os seus aliados tradicionais têm dúvidas sobre o tema, como a União Europeia, cujo presidente do conselho, Herman Van Rompuy, afirmou que não defende uma solução militar para a crise Síria e que qualquer intervenção militar tem de ser submetida ao Conselho de Segurança da ONU.

Nial O’Reilly:
Ou seja as divisões sobre a Síria somam-se às divisões sobre as economias emergentes… tudo isto ameaça pôr em causa os objetivos da cimeira de propulsar a economia mundial. Podemos esperar algum progresso nos temas que estão em cima da mesa?

James Franey:
Bem, vários responsáveis já admitiram, nos bastidores desta cimeira, que a reunião deverá terminar com um acordo para reforçar o combate à evasão fiscal depois de um acordo de princípio obtido pelos ministros das Finanças do G20 em Moscovo, em julho, que tem um duplo objetivo: uma troca automática de informações que alguns responsáveis apontam como o fim do segredo bancário e uma ação reforçada da OCDE para que as empresas não transfiram os seus lucros para paraísos fiscais. No entanto, a Chanceler Angela Merkel parece registar uma perda de capital político nas discussões para obter um acordo para regular a chamada “banca oculta”, instituições financeiras que trabalham como bancos mas sem estarem submetidas às regras que regem a banca tradicional.

Merkel defende que é necessário reforçar as regras da “banca oculta” para evitar uma nova crise ligada ao crédito fácil como ocorreu em 2008. Mas, segundo alguns responsáveis europeus ,os líderes do G20 parecem distantes de um acordo sobre este tema, o que seria uma derrota para os esforços de Angela Merkel.

Nial O’Reilly:
Vamos ficar à espera das conclusões da cimeira. Muito obrigado, James Franey, o enviado da euronews à reunião do G20 em São Petersburgo.