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Alemanha: Partidos ecologistas assumem posição nas legislativas

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Alemanha: Partidos ecologistas assumem posição nas legislativas

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Existe uma região no centro da Europa, no sudoeste da Alemanha, que é tida como o berço do automóvel.

É aqui, em Baden-Wuertemberg que são construídos milhões de carros de várias marcas, todos os anos. Cerca de 342 mil pessoas dependem, diretamente, da indústria automóvel.

A região é uma das mais fortes, em termos económicos, de toda a Alemanha. Desde 2011 que um membro do Partido os Verdes assume o cargo de chefe do executivo local.

Esse facto não foi um acidente. No início de 2003, em Estugarda, a cidade dos automóveis mais velozes, foi eleito uma presidente da câmara deste partido. Hoje, no seu programa eleitoral para o Bundestag diz:

“Queremos afastar-nos do petróleo e focar-nos nos automóveis sustentáveis e elétricos, a partir de fontes renováveis.” Um dos seus dois candidatos explica:”

“Por exemplo, os engenheiros da Daimler e da Porsche vêm trabalhar nas suas bicicletas e votam ‘verde’. Ninguém chega a presidente da câmara de Estugarda sem o apoio dos trabalhadores da indústria automóvel,” afirma o candidato do Partido Bundnis 90, Die Grunen.

As sondagens dizem que os Verdes vão conseguir entre 11 a 15 por cento dos votos, o que pode ser fulcral para decidir quem será chanceler. Uma questão mantém-se na mente dos eleitores: podem os Verdes governar bem?

Há já dois anos que Baden-Wurttemberg é a única região da Alemanha que tem como responsável, um membro do partido ecologista. Os “media” alemães olham para a região como um laboratório que deve ser observado. A política é acompanhada de perto tanto por Estugarda como por Berlim.

O ecologista Winfried Kretschmann tem conseguido manter a economia da região no caminho do crescimento, os eleitores continuam a confiar nele.

Uma das derrotas públicas do chefe regional do executivo foi ter perdido o referendo que aprovou a construção da estação de caminhos-de-ferro Bahnhof Stuttgart 21.

Apesar dos bons resultados, a região está a gastar mais do que seria desejável. Em junho o défice ultrapassava os mil milhões de euros.

Este facto vai contra a política de frugalidade e de trabalho do sudoeste, a mesma sobriedade adotada por Angela Merkel como modelo que deveria ser seguido pela Europa. Na cimeira do G20, em 2011 a chanceler afirmou: “As donas de casa da Suábia representam uma bela região da Alemanha, onde não existe a tendência para gastar mais dinheiro do que o que se ganha.” Um recado direto para a Grécia.

Por outro lado, quando se fala sobre a evolução do automóvel, os descendentes de Carl Benz não parecem ter medo em assumir riscos. Esta alemã diz que “quando vivemos de modo responsável, esperamos o mesmo da educação e da indústria automóvel. Diria que de todos os alemães, os do sudoeste, são os que vivem de forma mais responsável.”

“Dizem que as pessoas desta região gostam de saborear o seu vinho e de poupar dinheiro. Temos uma ética de trabalho forte. Gostamos de trabalhar arduamente. Isso faz parte da cultura. Gostamos das coisas e somos dedicados. Sou de uma aldeia na Floresta Negra, onde caso haja um incêndio numa quinta, as pessoas não ficam entregues e si mesmas,” assegura este alemão.

Estes são os chamados “campeões escondidos”, desconhecidos, os líderes de mercado sem paralelo, que polvilham o mapa da Alemanha, em especial no sudoeste do país.

O economista Michael Grömling, explica que a situação da Alemanha é diferente. “Não é como em outros países, onde a atividade económica é altamente concentrada nas capitais ou grandes cidades. Ao contrário, a nossa estrutura é, em grande parte, de tamanho médio. As empresas alemãs estão envolvidas na divisão do trabalho. Há uma cooperação ativa entre muitas empresas médias. Juntas, elas produzem produtos altamente sofisticados”.

Os Verdes dizem estar satisfeitos com essa simbiose pois a indústria era um dos alvos dos ecologias. A indústria tem vindo a adotar uma postura mais consciente e amiga do ambiente. Das fábricas da região saem cada vez mais automóveis híbridos, que gastam menos combustível e são mais eficientes.

Foi aqui, em Baden-Wuettemberg que ecologistas e construtores automóveis fizeram as pazes…

A candidata da Alliance 90/ “Os Verdes”, Katrin Göring -Eckardt explica que “é claro que há pequenas empresas que se especializam numa coisa, o que as torna líderes mundiais. Estas pessoas são consideradas loucas pelas outras mas aqui, elas têm a oportunidade para serem criativas, para se desenvolverem, para quando a próxima fase da revolução industrial chegar. Estamos, agora, na era da informação. Podemos ser considerados doidos, aqui, se fizermos parte do “mainstream”. É assim que nos desenvolvemos,” conclui.

Do outro lado há empresas como a McKinsey & Co que diz que, com os excedentes da indústria automóvel, vai gerar cerca de 80 mil milhões de euros, por ano, desenvolvendo produtos e processos sustentáveis.