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G20: o diálogo de surdos de Obama e Putin sobre a Síria

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G20: o diálogo de surdos de Obama e Putin sobre a Síria

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Vladimir Putin mostrou-se irredutível, ao final da cimeira do G20 em São Petersburgo. Depois de ter sublinhado a solidão de Obama na defesa de uma intervenção militar na Síria, o presidente russo preferiu dar destaque às conclusões económicas e financeiras da cimeira, em especial as medidas que, segundo ele, constituem uma porta de saída para a crise mundial.

“O nosso objetivo principal é estimular o crescimento e criar empregos encorajando o crescimento económico, introduzindo regras eficazes, assegurando a confiança dos mercados. Adotámos o plano de ação de São Petersburgo para cada país, detalhando cada objetivo de redução do défice orçamental a longo prazo e de implementação de reformas estruturais profundas”, afirmou Putin no discurso de encerramento do encontro.

Uma reunião marcada por uma união reforçada das cinco economias emergentes – os chamados BRIC’s (China, Índia, Russia, Brasil e África do Sul) – que anunciaram a criação de um fundo de solidariedade de 100 mil milhões de dólares e um banco próprio dotado de um capital 50 mil milhões de dólares.

Sobre a reunião bilateral de 20 minutos com Obama sobre a Síria, Putin declarou:

“Foi uma reunião bastante informativa, construtiva e amigável, numa atmosfera amigável. Cada um de nós defendeu a sua posição, mas pelo menos dialogamos. Ouvimos os argumentos do outro e percebemos a sua posição, mas não chegámos a um acordo. Ele não concordou com os meus argumentos e eu não concordei com os argumentos dele mas, pelo menos ouvimos o que o outro tinha a dizer e analisámos a situação”.

Vladimir Putin aproveitou ainda por retratar Obama como um líder isolado, durante o jantar de trabalho de quinta-feira durante o qual foi debatida a possibilidade de lançar uma intervenção militar na Síria.

O presidente russo não hesitou em evocar a oposição em bloco dos BRIC’s a uma ação militar, a carta em que o papa Francisco se opõe a uma solução armada e mesmo as sondagens que apontam uma opinião pública norte-americana contrária a um ataque militar.

A reunião do G20 terminou com um acordo sobre a luta contra a evasão fiscal que deverá conduzir à troca automática de informação entre os 20 países até ao início de 2015.