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Irão quer arsenal dos rebeldes sírios sob controlo internacional

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Irão quer arsenal dos rebeldes sírios sob controlo internacional

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O Irão, o principal aliado regional do regime sírio, acolheu de forma positiva a “proposta russa”. Para Teerão, que se opunha a uma intervenção militar contra Damasco, o controlo internacional sobre o arsenal químico sírio é a melhor forma de pôr fim à corrida às armas na região.

Segundo a porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, Marzieh Afkham: “o Irão espera que os contatos entre o nosso país e os parceiros que se opõem a uma guerra permitam um progresso prometedor e contribuam para evitar chegarmos a um ponto de não retorno”.

À semelhança da Síria, o Irão acusa igualmente os rebeldes de estarem por detrás do ataque com armas químicas de 21 de Agosto, nos arredores de Damasco. Para Teerão qualquer controlo da comunidade internacional sobre a Síria terá de ser alargado ao arsenal dos grupos armados no terreno.

Enquanto o governo de Barack Obama tenta obter o apoio do Congresso e da opinião pública, para dar luz verde a uma intervenção militar na Síria, os olhos voltam-se para o Irão, único aliado regional do regime de Bachar al Assad. Reza Marashi, do Conselho Nacional dos iranianos na Comunidade americana, aborda precisamente, o papel do Irão na crise síria.

Reza Marashi – “Durante, pelo menos, o ano passado, se não antes, os decisores no Irão, não todos, mas muitos entre eles, demonstraram a vontade de cortar a cabeça da serpente na Síria, ou seja, a de Assad, para preservar as instituições estatais essenciais ao partido Baas. Isto ao mesmo tempo que se sentavam à mesa das negociações para tentar encontrar uma solução política. Os iranianos estiveram entre os primeiros, com as Nações Unidas e outros, que defenderam que não há solução militar para este problema, só pode haver uma solução política. Mas a participação dos iranianos na busca de uma solução política que possa deter esta violência mortífera, não vai ser gratuita. Vai ter exigir um preço que depende da disposição iraniana. Até agora, nem os Estados Unidos nem a União Europeia convidaram o Irão a participar no processo de negociação.”

As mudanças no terreno transformaram os papeis internacionais e as motivações. Marashi salienta as diferenças na reação dos políticos e da população.

“A utilização de armas químicas por parte do governo de Assad foi a gota de água para muitos dirigentes no Irão. E, indo mais longe, diria que o massacre indiscriminado de sírios inocentes, em nome do governo de Assad foi a gota num copo que muitos iranianos consideravam estar cheio, há muito tempo.”

As consequências da crise síria pesam diretamente sobre o Irão. Uma situação cada vez mais difícil de aceitar no país, segundo Reza Marashi.

“Há muito tempo que se debate, no Irão o facto do apoio incondicional ao governo de Assad prejudicar o discreto poder iraniano no Médio Oriente. Muitos iranianos consideram que esta interferência pesa bastante sobre o país. Considero que, por isso, os decisores mais importantes no Irão vão, facilmente, deixar o problema nas mãos dos americanos, se os Estados Unidos decidirem intervir militarmente. “

Reza Marashi lembra os riscos que uma intervenção militar pode fazer correr a toda a região:

“Há um risco quando, ao defendermos a guerra na Síria, enviarmos a mensagem ao governo iraniano de que os Estados Unidos acreditam no que dizem sobre franquear linhas vermelhas.
O risco que se corre tem um duplo sentido. Primeiro, apoiem-se ou não os bombardeamentos militares na Síria, pode dizer-se que não há, por enquanto, uma estratégia articulada com clareza, e também não há estratégia articulada para o dia seguinte.
Segundo risco: as comunicações entre o Irão e os Estados Unidos são tão mínimas que, se não melhorarem e se não dermos uma boa razão ao Irão para participar num processo que fragilize Assad e que leve a uma solução política, os elementos extremistas do Irão vão interpretar como mais uma razão para trabalhar contra os esforços dos Estados Unidos e da União Europeia. Ora, o caos está muito disseminado na região e pode agravar-se ainda mais, o que é perigoso para todos.