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Frankfurt: A nova estratégia dos construtores automóveis

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Frankfurt: A nova estratégia dos construtores automóveis

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Alargar a gama e melhorar a qualidade: É a tendência no Salão Automóvel de Frankfurt, depois do mercado europeu ter contraído 25% desde 2007.

As marcas topo de gama e luxo, que na maioria estiveram imunes à crise, puderam investir. Em Frankfurt dominam em número de novidades e alargam a gama aos modelos familiares e ecológicos. Já os construtores generalistas, fortemente afetados pela queda das vendas, apostam numa subida de gama.

É o caso da Peugeot, um dos construtores mais expostos ao mercado europeu. O grupo francês PSA perdeu no primeiro semestre mais de 400 milhões de euros. É metade do prejuízo do ano precedente.

A Peugeot lança-se à conquista novos segmentos e exemplo disso é o novo 308, que em Frankfurt e que compete com o Golf da Wolkswagen.

A euronews falou com Maxime Picat é presidente executivo da marca.

Antoine Juillard, euronews: Qual é o estado de saúde do grupo Peugeot Citröen na abertura do Salão Automóvel de Frankfurt?

Maxime Picat, presidente executivo da Peugeot: Estamos claramente no bom caminho graças ao nosso plano de redução de custos, mas também aos primeiros sinais de retoma do mercado após o lançamento de novos modelos como o 2008. Já tivemos 40 mil encomendas do modelo e agora a estrela do Salão de Frankfurt será o novo 308.

euronews: A Europa é o principal mercado da Peugeot e deverá contrair de novo este ano. Tem razões para esperar uma inversão da tendência em 2014?

M. Picat: Face aos dados, pode ver-se que que no primeiro semestre, o mercado europeu recuou 7%. Ficou em linha com as nossas previsões de menos 5% este ano, o que significa que no segundo semestre haverá uma desaceleração da queda. Depois, talvez, o mercado deverá começar a crescer, mas a verdadeira questão é a velocidade da retoma. Será, provavelmente, lenta.

euronews: Vão propor em Frankfurt a nova Peugeot 308. Acabam de lançar a 2008 que parece ser um sucesso. Para fazer face à pressão sobre os preços na Europa é preciso multiplicar os modelos e as versões para atrair os consumidores? Qual é a atual estratégia?

M. Picat: A nossa estratégia é responder às necessidades dos nossos clientes. Antecipamos, há alguns anos, um segmento de forte crescimento no futuro, que é o dos pequenos carros SUV. Foi por essa razão que lançamos a 2008, que é um sucesso. Já temos 40 mil encomendas. Por isso, trata-se de responder aos desejos dos consumidores. Mas temos também de subir em gama, o que significa que os nossos carros têm de ter mais qualidade. O melhor exemplo é o novo 308, cuja qualidade é muito próxima da dos construtores topo de gama.

euronews: A desaceleração económica de alguns mercados emergentes, como Brasil, Índia ou Rússia, pode alterar a estratégia, por exemplo em termos de investimento, da Peugeot nesses países?

M. Picat: Fora da Europa fixámos como prioridades a China, a América do Sul e a Rússia. Registamos bons resultados na China. E se olhar para a Argentina, os resultados são fantásticos, tal como no norte de África. Por isso, vamos continuar com grandes investimentos nessas regiões cruciais, porque acreditamos que pode ajudar-nos a compensar a situação do mercado europeu, que é mais difícil.