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Aviação: da sucata até ao eco-design

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Aviação: da sucata até ao eco-design

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Quando um avião pára de voar o destino é o desmantelamento. Com milhões de quilómetros no histórico, torna-se num amontoado de materiais que deve ser eliminado. A missão de uma investigação europeia é tornar este processo economicamente rentável.

Os desafios deste projeto são vários, como o de recuperar o máximo de material reciclável e contribuir para o projeto do avião do futuro, menos poluente, mesmo no final da vida útil.

Ayçe Çelikel, Coordenador do Projeto AIMERE, Presidente da Envisa: “No que toca às ligas e metais recuperados a tarefa é, por exemplo, como localizar titânio, que é mais rentável que o alumínio…Compreende todo o “ciclo de vida” de um avião e tem como objetivo criar, no futuro, novas aeronaves sem este tipo de problemática…O foco na reciclagem vai ajudar o projeto dos novos aviões.”

Estima-se que o número de aviões cresça em todo o mundo. Na Europa, nos próximos 20 anos cerca de 6 mil aviões vão chegar ao fim da jornada.

Torna-se assim necessário desenvolver práticas para a gestão dos resíduos das aeronaves. Um passo que coloca sérias questões no que toca ao impacto ambiental.

Martin Fraissignes AFRA, Diretor executivo, aeroporto de Chateauroux airport: “A gestão do fim da vida útil de uma aeronave tornou-se uma preocupação relativamente recente para o setor. Daí o nosso cuidado em definir códigos de conduta e de boas práticas para desmontar e reciclar estes aviões, tendo em vista um estrito respeito pelas regras ambientais”.

Depois de descontaminado de líquidos perigosos e de componentes radioativos, um avião começa a ser desmantelado.

A cadeia de reciclagem propriamente dita começa com a recuperação de componentes reutilizáveis​​ na indústria aeronáutica.

Olivier Dieu, Diretor técnico, Valliere Aviation: “Recuperar todos as partes com valor como o trém de aterragem, motor e todas as peças de aviónica, ar condicionado, etc… Que, mais tarde, podem ser vendidas no mercado secundário.”

Um avião é feito de 60% de alumínio, 15% de aço e 10% de metais preciosos como o titânio.

Outro objetivo da investigação é localizar numa fase inicial as ligas metálicas mais preciosas no corpo da aeronave, um passo que impulsiona o processo de reciclagem.

Torsten Müller Fraunhofer, Instituto para Tecnologias Químicas: “O maior problema são os procedimentos da reciclagem, pois os valores não são elevados o suficiente para que o processo seja económico, especialmente nos plásticos. A melhor solução será a de encontrar uma resposta legal por um lado e uma tecnologia precisa para o avião no seu conjunto”.

Se os aviões do futuro vão poluir menos, isso será também porque, a partir de agora, estes materiais podem ganhar uma nova vida.

www.aimereproject.org