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Resgate milionário do Costa Concordia em andamento

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Resgate milionário do Costa Concordia em andamento

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Os habitantes e turistas da ilha de de Giglio vão poder ver o horizonte limpo muito em breve. O Costa Concordia deverá voltar esta segunda-feira a flutuar, mais de um ano e meio depois de ter encalhado ao largo de Giglio. Conhecida como parbuckling – içar um navio encalhado e recoloca-lo a flutuar -, esta é uma operação única no Mundo: nunca antes um navio com mais de 100 metros foi recuperado desta forma. Neste caso, são quase 300 metros de comprimento e cerca de 114 mil toneladas. Uma plataforma submersa, teve de ser construída, obrigando à perfuração do solo.

Franco Porcellachia, vice presidente da Carnival Corporation, a companhia que detém a Costa Cruzeiros, proprietária do barco, destaca a “peculiaridade deste projeto” de resgate naval, no qual o objetivo é “colocar de pé um navio que é enorme”. “Não temos nada onde o pousar a não ser a cama submersa que tivemos de construir. É isto que faz desta operação algo único e grandioso”, enalteceu Porcellachia.

A plataforma criada está assente em 21 pilares e vai ajudar a suportar o navio durante a operação. A bombordo do barco estão colocadas umas caixas-de-ar. Gruas gigantes vão iça-lo através de vários cabos de aço, sendo depois colocadas outras caixas-de-ar a estibordo, o que vai permitir permitir ao Costa Concordia voltar a flutuar e mais tarde ser rebocado para o porto de Piombino, onde vai ser desmantelado. Cerca de 500 pessoas, oriundas de 26 países, estão envolvidas nos trabalhos desta segunda-feira, que começaram com duas horas de atraso por causa do mau tempo.

Com o destino traçado, a história do Costa Concordia remonta a 2006, quando foi construído. Era, à altura, o maior navio cruzeiro italiano, com os seus 290 metros de comprimento. A operação para resgatar o navio do fundo do Mediterrâneo está avaliada em cerca de 600 milhões de euros, mais do que o valor do navio: 422 milhões. Os custos da operação vão ser suportados na totalidade pela Costa Cruzeiros.

A decisão de avançar agora com o parbuckling prende-se com preocupações ambientais, devido a eventuais derrames de produtos tóxicos caso o casco do navio não resista aos trabalhos de resgate. Mas em cima da mesa também está o retomar das buscas das duas pessoas que a esta altura ainda estão dadas como desaparecidas. “É uma enorme preocupação para todos, mas sobretudo para os familiares. Enquanto procedemos ao levantamento do navio, vamos também usar câmaras subaquáticas para ver o que está no fundo e as autoridades vão aproveitar para procurar os corpos dos desaparecidos – essa é, aliás, uma das prioridades”, revelou Nicholas Sloane, um dos membros das equipas de resgate do Costa Concordia.

A bordo do Costa Concordia, a 13 de janeiro de 2012 – a data da tragédia -, seguiam mais de 4 mil pessoas. Trinta e duas morreram. Francesco Schettino, o comandante do Costa Concordia, está a ser julgado e incorre numa pena que pode ir até aos 20 anos de prisão.