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Células estaminais reprogramadas em ratinhos

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Células estaminais reprogramadas em ratinhos

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Pela primeira vez cientistas conseguiram reprogramar células estaminais em ratinhos.

As células adultas tornaram-se pluripotentes, ou seja, adquiriram a capacidade de gerar todo o tipo de células do corpo.

A mesma reprogramação já tinha sido feita in vitro, em laboratório.

Mas desta vez as células foram reprogramadas nos próprios ratinhos.

As experiências realizadas pelo Centro Nacional de Investigação Oncológica em Madrid foram publicadas na revista Nature.

A pesquisa abre portas ao desenvolvimento de um método eficaz para a regeneração de tecidos ou para o tratamento de doenças.

“É algo que não esperávamos. é uma surpresa. Abre a possibilidade de essas células sejam ainda melhores do que as geradas in vitro”, disse Manuel Serrano, investigador do Centro Nacional de Investigação Oncológica em Madrid.

Os cientistas constataram que as novas células reprogramadas nos ratinhos têm uma capacidade de diferenciação superior.

As células dos rins, fígado, intestino e pancrêas dos pequenos mamíferos foram reprogramadas para um estádio mais precoce, extremamente versátil, à semelhança das células estaminais embrionárias.

“Em muitos tecidos e em muitos sítios as células perdem a sua identidade. Por exemplo, a célula que é do fígado deixa de ser uma célula do fígado, a do intestino deixa de ser do intestino e elas convertem-se em células estaminais embrionárias”, acrescentou o investigador.

No longo prazo, a técnica poderá ajudar as regenerar os tecidos de pessoas que sofreram lesões na medula óssea ou permitir a criação de células produtoras de insulina.

Um dos grandes objetivos da Medicina Regenerativa é conseguir criar células que possam ser usadas na mesma pessoa de onde foram retiradas, o que permitiria ultrapassar os problemas de rejeição.

Outra das grandes vantagens da utilização de células estaminais adultas é o facto de não se colocarem problemas de natureza ética.

A investigação espanhola teve como ponto de partida uma técnica desenvolvida em 2006 no Japão.

A cientista e prémio Nobel Shinya Yamanaka conseguiu produzir pela primeira vez em laboratório células estaminais pluripotentes induzidas.

As células foram reprogramadas através da introdução de quatro genes. Resultado, as células adultas tornaram-se menos especializadas e transformaram-se em células estaminais pluripotentes, com capacidade para gerar todo o tipo de células do corpo.

Enquanto a experiência japonesa foi feita em laboratório, em Espanha, deu-se mais um passo para aproximar a investigação da realidade.

Os cientistas do Centro Nacional de Investigação Oncológica utilizaram os mesmos quatros genes e alimentaram os ratinhos com doxiciclina, uma substância que permite ativar esses genes.

Após algumas semanas, as células começaram a dar origem a estruturas parecidas com embriões.

Maria Abad, uma das investigadoras do centro madrileno. espera conseguir mais resultados no futuro.

“Poder manipulá-las no laboratório vai permitir-nos conhecê-las melhor e saber até onde são capazes de chegar”, disse a investigadora.

A possibilidade de regenerar tecidos parece longíquia mas o Japão deverá dar mais um contributo importante às investigações na área da medicina regenerativa.

O governo japonês aprovou recentemente ensaios clínicos para implantar células estaminais pluripotentes da retina em pessoas cegas.

O Instituto Europeu de Excelência em Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa têm também projetos importantes em curso.

Cientistas portugueses que coordenam o instituto querem produzir suportes a partir de bio-materiais onde as células estaminais do próprio paciente se vão alojar para viajar até ao local certo do órgão que se pretende regenerar.