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Como Angela se tornou "Angie" sem perder força na Alemanha

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Como Angela se tornou "Angie" sem perder força na Alemanha

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Angela Merkel tornou-se “Angie”, na campanha eleitoral rumo ao terceiro mandato como Chanceler da Alemanha. Foi uma estratégia assumida também pela União Democrática Cristã (CDU) para aproximar mais a líder do povo, afastando-a em simultâneo de uma certa imagem de frieza que a precede, mas que ela espera tornar agora mais humana e próxima de todas as gerações.

“Angie”, aliás, nunca se atrasa. Nem mesmo para as reuniões menos importantes. Dá importância igual a todos. É direta, mas revela-se também tranquila e uma mulher confiante, como neste discurso e campanha: “Tivemos de lidar com a adversidade nos últimos quatro anos, mas para nós, alemães, não podemos dizer que tenham sido uns anos maus. Eu espero que daqui por quatro anos possamos dizer que em 2017 mais pessoas vão estar melhor do que hoje. Eu estou a trabalhar para isso e, por isso, peço-vos o voto na CDU porque é ele que vai permitir manter-me como Chanceler. Eu gostava de continuar o trabalho.”

Angela Merkel termina o segundo mandato com uma popularidade de meter inveja: 60 por cento dos alemães aprovam o trabalho efetuado por “Angie”. Parece quase o reflexo de um percurso governativo sem faltas. “Ela fez um bom trabalho”, começa por nos dizer um jovem alemão, que, embora não satisfeito com tudo o que foi feito – “algumas das coisas talvez não tenham sido assim tão boas” -, revela poucas dúvidas sobre o sentido do voto que irá seguir: “No geral, fez um bom trabalho na forma como lidou com os problemas e conflitos na Europa, por isso, ela merece.”

Quando foi eleita e jurou a constituição alemã pela primeira vez, em 2005, Angela Merkel viu-se obrigada a governar em coligação com os sociais-democratas, o SPD, o principal adversário nesta corrida às urnas. Por isso, viu-se obrigada na altura a recuar na promessa eleitoral de baixar os impostos.

Com a chegada em força da crise económica, em setembro de 2008 após o colapso do banco americano Lehman Brothers, a Chanceler tornou-se num género de gestora de imprevistos. Ao chegar ao poder, há oito anos, encontrou-se com uma taxa de desemprego na Alemanha de 11,1 por cento. Merkel viria a beneficiar da chamada “Agenda 2010”, implementada pelo antecessor, Gerhard Schroeder, e, nas eleições de 2009, fez-se valer do recuo do desemprego para os oito por cento e isto apesar do agravamento da crise económica mundial, incluindo o Euro. O desemprego na Alemanha continuou a baixar e, atualmente, está abaixo dos sete por cento.

Embora uma herança dos sociais-democratas, com a crise mundial sem dar muitas tréguas, os alemães atribuem o mérito da descida do desemprego nacional ao trabalho de Angela Merkel. Uma imagem que não reflete a imagem sustentada além fronteiras, como nos explica o conselheiro para os Negócios Estrangeiros alemães, Joseph Janning: “Ela é muitas vezes comparada, na Europa, a Margareth Thatcher. É retratada como uma pessoa fria, calculista, distante. Não é esta a imagem que os alemães têm dela. Aliás, deram-lhe a alcunha de ‘Mutti’ (mamã) e isto significa que Merkel é vista como um de nós e, sobretudo, um que se preocupa de facto connosco.”

Uma das frases chave da campanha da CDU é “O futuro da Alemanha em boas mãos” e costuma ser acompanhada por uma imagem da posição habitual das mãos de Angela Merkel, entrelaçadas pelos dedos e com os braços descaídos diante do corpo. Esta associação procura consolidar junto dos alemães alemães a ideia de que ela representa segurança, que será a pessoa certa e que merece o terceiro mandato como Chanceler da Alemanha.