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Albânia: PM promete luta anti-corrupção para poder entrar na UE

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Albânia: PM promete luta anti-corrupção para poder entrar na UE

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A corrupção foi um dos temas mais marcantes das eleições na Albânia, no início do verão. Ainda candidato, Edi Rama, participou nos protestos nas ruas e prometeu lutar contra essa marca do regime.

Agora à frente de um governo de coligação, depois da investidura no passado domingo, o primeiro-ministro socialista promete também lutar pela adesão à União Europeia (UE).

O analista político Steven Blockmans explicou à euronews que “a Albânia realizou progressos em alguns setores, sobretudo na implementação de requisitos técnicos. Têm um novo Provedor de Justiça, que era uma das exigências. Também remodelaram o estatuto de imunidade parlamentar e criaram tribunais administrativos. Isto é, podemos medir os progressos concretos”.

O investigador, que trabalha no Centro de Estudos sobre Política Europeia, com sede em Bruxelas, admite que muito mais terá de ser feito, até porque o ponto de partida é muito frágil.

“A Albânia é o país mais corrupto da Europa, de acordo com a organização Transparência Internacional, e é também um dos países mais pobres da Europa. Vai ter dificuldades em levar a cabo alguns dos requisitos formulados pela Comissão Europeia”, acrescentou Steven Blockmans.

O primeiro-ministro Edi Rama escolheu Bruxelas para a primeira visita institucional. Apesar das duas recusas anteriores, espera que a Albânia obtenha o estatuto de candidato à UE até final do ano.

Em conversa com o correspondente da euronews em Bruxelas, James Franey (JF/euronews), Edi Rama (ER/PM Albânia) disse que “fizémos grandes progressos, mas ainda há muito a fazer e espero sinceramente que, nos próximos dez anos, esta ambição seja concretizada e que a Albânia se torne um membro de pleno direito da UE”.

JF/euronews: “Qual será a contribuição da Albânia para a UE? Fala-se muito em Bruxelas de um certo cansaço com o alargamento”.

ER/PM Albânia: “Enquanto falava de cansaço, a UE aceitou um novo membro, a Croácia. Em segundo lugar, a Albânia é o país mais pró-europeu de toda a Europa. A taxa de aprovação da UE é muito maior na Albânia do que em qualquer estado-membro. À nossa pequena e modesta escala, vamos contribuir para a UE com energia positiva e entusiasmo”.

JF/euronews: “Mas deve ser difícil vender essa ideia aos eleitores do estados-membros da UE. No Reino Unido há um grande debate sobre o futuro da UE e o mesmo se passa em França e na Alemanha. Algumas das preocupações decorrem da imagem da Albânia como um país corrupto”.

ER/PM Albânia: “Não é que não mereçamos isso, em certa medida, mas há um certo exagero, uma certa caricatura. O debate de que está a falar tem a ver com as frustrações de cidadãos dos países-membros da UE. Essas frustrações não se resolvem só porque se mantém fora da família europeia os povos albanês, sérvio, montenegrino ou macedónio. Aqueles que falam contra o alargamento fazem-no com motivações políticas nos seus países e não devido a uma preocupação genuína sobre o futuro da Europa”.

JF/euronews: “Então, concretamente, o que é que pretende fazer? Vai remodelar os serviço públicos? Quais são as reformas profundas que quer aprovar?”

ER/PM Albânia: “É muito claro. Aqueles que foram escolhidos pelo povo defendem o caminho da modernização e é isso que temos de fazer. Precisamos de modernizar as instituições e os serviços, bem como a forma de comunicarmos. Estamos decididos e prontos a fazê-lo”.

JF/euronews: “É uma pessoa muito conhecida internacionalmente devido ao seu mandato como presidente da câmara de Tirana. Tendo em conta que a corrupção é quase endémica na Albânia, houve situações em que os seus valores estiveram em risco?”

ER/PM Albânia: “Penso que a corrupção é o resultado de um sistema falido e não algo intrínseco às pessoas. No final das contas, quando uma entidade é corrupta, não o é por causa de aí trabalharem albaneses ou britânicos. É por causa do sistema que vigora. Se os albaneses que trabalham nessa entidade forem transferidos para a função pública britânica, não serão corrupto porque não existem oportunidades para fazerem subornos. Mas se levar alguns britânicos para a entidade albanesa, há fortes probabilidades de eles serem corrompidos”.

JF/euronews: “Alguém tentou suborná-lo durante o seu mandato como autarca?”

ER/PM Albânia: “Pode ter acontecido no início mas, depois de uma recusa firme, não voltou a acontecer. E mesmo então, não foi assim algo tão direto e simples. A corrupção é uma espécie de animal que tenta seduzir as pessoas, mesmo que muito diferentes entre si. É algo que insidiosamente se vai aproveitando das lacunas que existem no sistema”.