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A surpresa da FED

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A surpresa da FED

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A retoma da economia norte-americana ainda é frágil. É o que pensa a Reserva Federal (FED) que, ao contrário do esperado, decidiu manter intacta a política de estímulos.

No final de dois dias de reunião, o presidente do banco central dos Estados Unidos anunciou um corte nas previsões de crescimento da maior economia do mundo. Ben Bernanke reconheceu: “Temos sido demasiado otimistas em relação ao crescimento no próximo ano. O potencial de crescimento tem desacelerado. Como defendi antes, as condições no mercado laboral estão longe dos nossos objetivos. No entanto, houve progressos desde que anunciamos o programa de compra de ativos”.

A FED vai então manter, por agora, as taxas de juro próximas de zero e continuar a comprar 85 mil milhões de dólares por mês de títulos de estado e hipotecários. O objetivo é apoiar a economia, que deverá crescer este ano entre 2 e 2,3%, menos do que o previsto em junho.

O professor de Economia Lawrence White defende: “A FED não está ainda confiante em relação ao crescimento sustentável da economia dos Estados Unidos e considera que a economia ainda precisa deste tipo de estímulos”.

Um dos indicadores seguidos pela FED é o mercado de trabalho. Em agosto, a taxa de desemprego estava nos 7,3%, ainda acima da meta, de 6,5%, fixada pela própria FED para ponderar uma alteração de política.

Cinco anos depois da crise das “subprimes” se ter transformado em crise mundial, o mercado imobiliário norte-americano dá sinais de recuperação.

Os analistas consideram que com esta decisão a FED evita que os bancos centrais na Europa tenham de implementar mais estímulos para fomentar a retoma. Já as economias emergentes, com a política do dinheiro barato nos Estados Unidos, vem reduzir a pressão sobre as suas divisas. O problema é que também diminui a pressão para realizarem reformas económicas.