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Steinbrück, o social-democrata com um dedo popular

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Steinbrück, o social-democrata com um dedo popular

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A fotografia de Peer Steinbrück publicada na capa da edição de 13 de setembro da Süddeutsche Zeitung Magazin devia ter sido uma resposta gestual e silenciosa a uma pergunta da revista alemã sobre as gafes cometidas durante a campanha pelo candidato social-democrata à cadeira de Chanceler. Mas o gesto polémico de pouco mais valeu a Steinbrück do que um ligeiro aumento da fraca popularidade que ele possui entre os alemães, que, aliás, por causa das recorrentes gafes, até o apelidam como “Calamity Peer”.

Candidato escolhido pelo SPD para fazer frente à atual Chanceler, Steinbrück garante que fez o gesto publicado pela revista por brincadeira. Mas essa decisão, contudo, dividiu opiniões.

Ainda assim, Steinbrück é reconhecido como uma pessoa inteligente, um orador brilhante e um especialista em finanças, setor do qual foi ministro alemão entre 2005 e 2009, em consequência da coligação entre o seu SPD e a CDU, de Angela Merkel – uma aliança que ele agora não quer ver repetida nos mesmos moldes.

No estalar da crise mundial, no final de 2008, Steinbück surgiu então ao lado da Chanceler. O objetivo: acalmar os alemães, que ameaçavam resgatar as poupanças dos bancos por causa da crise. A aliança Steinbrück-Merkel resultou, mas dificilmente se voltará a repetir.

Alguns observadores, contudo, garantem que os dois partilham algumas ideias políticas, outros veem entre eles diferenças claras, nomeadamente na personalidade, característica, aliás, que torna Angela Merkel mais popular entre os alemães, como nos explica o professor de ciência política na Universidade de Humboldt, Friedbert Rueb: “Diria que Steinbrück é uma daquelas pessoas que assume aquilo a que chamaríamos uma liderança política. Muito mais do que Merkel, Steinbrück tem uma ideia clara de como deve ser moldada a sociedade alemã e de como deve fazer avançar certos assuntos políticos que ele entende importantes de serem implementados. Por isso, vejo entre eles uma diferença política e também de personalidade.”

Durante a presente campanha, na televisão alemã houve apenas um debate. A ideia geral é que resultou num empate entre Steinbrück e Merkel. Para o candidato social-democrata, a prioridade parece estar longe das câmaras e está mais dirigida para encontros com pequenos grupos, respondendo a perguntas diretas e fazendo o melhor para persuadir os eleitores pela proximidade. A tática, porém, não parece estar a resultar porque os alemães dão mostras de preferir a aparente maior simplicidade de Angela Merkel. Um comentador chegou mesmo a considerar que os alemães preferem confiar no demónio que, durante a tempestade, eles sabem que vai conseguir manter o rebanho unido.

Os apoiantes de Steinbrück, por outro lado, consideram ser a autenticidade o maior trunfo do social-democrata. O candidato do SPD está casado há 38 anos, tem três filhos e, segundo garantem os afiliados, é tão confiável como político como tem sido na vida privada. Este domingo se verá o que pensa a maioria dos alemães. Está nas mãos de cada um deles, afirma Peer Steinbrück num dos cartazes da campanha.