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Suíços votam "sim" ou "não" ao serviço militar obrigatório

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Suíços votam "sim" ou "não" ao serviço militar obrigatório

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Há 200 anos que a Suíça não entra numa guerra. Perante este e outros argumentos, os suíços vão referendar, uma vez mais este domingo, o “sim” ou “não” ao serviço militar obrigatório num dos países mais ricos do Mundo e reconhecido pela neutralidade internacional.

A iniciativa do referendo partiu do GSOA, o “Grupo por uma Suíça sem Exército”. O objetivo: reduzir o contingente militar helvético, que é atualmente de 150 mil tropas, entre homens e mulheres. Aos cofres da Suíça, os militares custam seis por cento do atual orçamento federal e, apesar da pequena dimensão geográfica do país, representam uma força superior, por exemplo, às da Áustria, da Bélgica, da Suécia, da Noruega ou da Finlândia.

A iniciativa de desmilitarizar a Suíça está longe, contudo, do consenso entre cidadãos e classe política. Mesmo perante o argumento da ausência de ameaças diretas ao país, o ministro suíço da Defesa revela-se um entusiasta do serviço militar obrigatório. “Um exército de voluntários seria pior do que o serviço militar obrigatório. Seria mais dispendioso, menos competente e não iria garantir a nossa segurança. Não sabemos se haveriam voluntários nem quantos deles iriam para o serviço militar. Nós precisamos de uma obrigação para o nosso serviço militar”, defendeu Ueli Maurer.

Existem apenas seis países na União Europeia (UE) com serviço militar obrigatório. A eles somam-se a Suíça e a Noruega. Na Dinamarca, é opcional. Dezassete países, entre os 28 da UE, já aboliram o serviço militar obrigatório, nomeadamente Portugal em 2003, após a aprovação da lei em 1999 – a discussão, porém, ressurgiu este ano no seio das Forças Armadas portuguesas.

No caso suíço, a discussão não é nova e voltou a ganhar força através do GSOA. Para eles, as forças militares são demasiado dispendiosas e provocam desigualdades entre os que entram e os que não não entram. Os que são aprovados física e mentalmente, dedicam ao serviço militar 18 a 21 semanas – são três semanas por ano, num total de 260 dias. Para Josef Lang, do GSOA, não há dúvidas: “Se algumas tradições estão obsoletas e custam demasiado, temos de acabar com elas.”

Como está a lei, atualmente, os suíços estão obrigados a cumprir o serviço militar até dos 34 anos. Entre os argumentos de defesa da obrigação está a disciplina que o serviço ensina e que pode ser usada na vida profissional. As empresas, porém, começam a apoiar o “não” porque não querem ver-se privadas dos empregados durante nove meses. A discussão está em cima da mesa e à boca das urnas suíças. Este domingo, decide-se, então, o “sim” ou “não” ao serviço militar obrigatória na Confederação Suíça.