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Alemanha: Coligações incertas e uma ameaça "alternativa"

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Alemanha: Coligações incertas e uma ameaça "alternativa"

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Existem poucas dúvidas de que Angela Merkel será reconduzida para um terceiro mandato como Chanceler da Alemanha, após as eleições deste domingo na Alemanha. As grandes questões em aberto prendem-se com a maioria do Bundestag, o parlamento alemão. Quais serão as coligações a surgir face aos resultados deste domingo à noite?

Desde 1949, ano em que foi fundada antiga República Federal da Alemanha, que o sistema eleitoral favorece o surgimento de alianças entre partidos políticos. É não só uma forma de se conseguir a maioria no parlamento, mas também de evitar as concentrações de poder. Os alemães não veem as coligações como um símbolo de fraqueza dos partidos que a procuram, mas sim de força e que vai implicar uma constante negociação entre os intervenientes no poder.

Com uma reedição pouco provável, mas não totalmente posta de parte, da coligação CDU/ SPD que governou entre 2005 e 2009, durante o primeiro mandato de Angela Merkel como Chanceler, que sucedeu ao social-democrata Gerhard Schroeder, uma das maiores preocupações dos democratas cristãos é perceber se os últimos e preferidos aliados vão ou não contrariar as sondagens negativas. Se o FDP conseguir os cinco por cento de votos exigidos para ter assento no Bundestag, a CDU pode manter a coligação com que vinha governando no último mandato. Mas… e se os liberais falharem o acesso? Poderão os Verdes ser uma alternativa? Os mais radicais Die Linke, a Esquerda, já garantiram ser impossível juntarem-se ao partido de centro-direita de Merkel.

Outra dúvida é se o eurocético AfD, o recém-criado partido Alternativa Para a Alemanha, irá confirmar nas urnas o aumento de popularidade que tem alcançado entre os alemães através da defesa, por exemplo, da saída da União Europeia dos países em crise, onde incluem Portugal e a Grécia. Será esse aumento de popularidade suficiente para levar o AfD até ao Bundestag?

Se o Alternativa para a Alemanha, criado em fevereiro deste ano, chegar ao parlamento, a Europa pode ser afetada, avisa, aos microfones da euronews,
Daniela Schwarzer, do Instituto Alemão para a Politica e Segurança Internacionais. “O Bundestag tem um enorme papel nas questões europeias. Todos os resgates e as recapitalizações dos bancos pelo Mecanismo de Estabilidade Europeu passam por lá. Estas decisões correm o risco de poderem vir agora a ser debatidas sob a perspetiva eurocética do Alternativa para a Alemanha, o que poderá influenciar a opinião dos alemães”.

O correspondente da euronews em Berlim, Olaf Bruns, perspetiva mesmo uma surpresa para este domingo: “Não é habitual novatos na alta política alemã. Muitos europeus não conseguem sequer imaginar um partido anti-Euro no Bundestag, mas este domingo pode haver mesmo uma grande surpresa na noite eleitoral da Alemanha.”