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França julga ligações perigosas de Sarkozy

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França julga ligações perigosas de Sarkozy

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“Há que se pôr de acordo: quem financiou a minha campanha? Os submarinos paquistaneses, o senhor Kadaffi ou a senhora Bettencourt?”

Esta pergunta de Nicolas Sarkozy, em abril de 2012, resume, hoje, todos os problemas judiciais que o ex-presidente francês tem de enfrentar.

Esta terça-feira, foi confirmada em Bordéus, a imputação de Nicolas Sarkozy no caso de Liliane Bettencourt. Uma decisão muito esperada, pois dela dependiam outras 12 acusações relacionadas com o caso.

O tribunal recusou o recurso dos acusados, que reclama a anulação do exame psiquiátrico que concluiu que Bettencourt, por causa da senilidade, era suscetível de sofrer de aproveitamento alheio da sua fortuna, desde setembro de 2006.

O caso da herdeira da L’Oréal teve início em 2007. Nessa altura, a saúde mental da milionária foi posta em causa. Pessoas próximas de Liliane Bettencourt podiam aproveitar-se dela e do seu dinheiro. Um caso de família que se converteu em caso de Estado, quando umas gravações revelaram que alguns políticos teriam recebido fundos, nomeadamente Sarkozy, para financiar a campanha.

Derrotado nas eleições de maio de 2012, menos de um ano depois, suspeitou-se que Sarkozy teria sido um dos políticos que usufruiu da fortuna da idosa, crime passível de três anos de prisão.

Mas a colaboração da família Bettencourt com a direita vem dos anos 30, quando o pai, Eugène Schueller, fundou e financiou o grupo fascista La Cagoule. Depois da guerra, o marido de Liliane, André Bettencourt, não foi apenas ministro do governo francês até aos anos 70; também financiou vários políticos.
A imagem da família melhorou quando a filha, Françoise, casou com o neto de um rabino judeu.

Sarkozy também vai responder sobre o alegado financiamento de Kadaffi à sua campanha eleitoral, em 2007 – época em que o ditador foi recebido pelos chefes de Estado e de governo de todo o mundo ocidental, que aceitaram todas as excentricidades, e pelo caso Karachi, um processo de financiamento ilegal de fundos.

Este verão, Sarkozy foi acolhido com satisfação e alegria na sede da UMP. A questão, para os analistas, é se estes casos judiciais vão ou não determinar o seu regresso à política.