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Novo museu belga recorda emigração de europeus para a América

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Novo museu belga recorda emigração de europeus para a América

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Os antigos armazéns da companhia marítima Red Star Line, no porto de Antuérpia, cidade da Bélgica, voltam a ser palco das histórias de quase três milhões de pessoas que procuraram melhor vida na América. Mas, agora, na forma de um novo museu, que abre portas a 28 de Setembro.

A correspondente da euronews Natalia Richardson-Vikulina recorda, por exemplo, que “antes de embarcarem para as grandes viagens transatlânticas, os passageiros eram sujeitos a um processo de desinfeção”.

Os Estados Unidos, e também o Canadá, queriam emigrantes que estivessem em boas condições físicas para o trabalho, barrando a entrada a quem tivesse sinais de doenças típicas da época como cólera ou febre tifóide.

O diretor do museu, Luc Verheyen, refere que recolheram “muitas histórias comoventes de famílias que não passaram no controle feito aqui em Antuérpia ou na Ilha Ellis, já nos Estados Unidos. Houve casos em que um dos filhos do casal teve que ficar para trás.”

Do final do século XIX até 1934, famílias inteiras fugiam da pobreza, mas também da perseguição, sobretudo judeus de países de leste.

Um desses passageiros foi Sonia Pressman Fuentes, agora com 85 anos, que recorda bem o que a fez partir quando tinha apenas cinco.

“Esta viagem salvou a minha vida, a dos meus pais e a do meu irmão. Vivíamos na Alemanha quando Hitler chegou ao poder. Hitler foi nomeado chanceler a 30 de janeiro de 1933 e pouco tempo depois o meu irmão percebeu que seria uma ameaça para os judeus, pelo que convenceu os meus pais a deixarmos a Alemanha”, contou à euronews.

Muitas histórias tiveram um final feliz, com a oportunidade de reconstruir a vida e até ter as condições para alcançar a fama mundial, como é o caso do cientista alemão Albert Einstein.

O autarca de Antuérpia com o pelouro do turismo, Koen Kennis, referiu que “os passageiros viajavam não apenas em primeira e segunda classe, mas também em terceira, que era bem menos agradável. Mas chegaram aos Estados Unidos e muitos deles tornaram-se personalidades proeminentes”.

“Um dos exemplos é Irving Berlin, mais muitos outros que viajaram na Red Star Line ficaram famosos nos Estados Unidos, realizaram o sonho americano”, acrescentou.

O museu convida os descendentes de outros passageiros a partilharem as fotografias e as lembranças, contribuindo para contar mais histórias dos emigrantes europeus.