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França: François Hollande regressa à siderurgia que não soube salvar

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França: François Hollande regressa à siderurgia que não soube salvar

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Foi com assobios que o presidente francês foi recebido, esta quinta-feira, na siderurgia ArcelorMittal de Florange. Contrariamente às promessas de campanha de François Hollande, os dois altos-fornos foram mesmo encerrados. Agora, o presidente promete a criação, no local, de um centro de investigação sobre o aço do futuro.
“Virei aqui, a Florange, todos os anos, para verificar o respeito dos compromissos assumidos e para me assegurar de que o Centro de Investigação e Desenvolvimento Industrial, este centro público, está a produzir os resultados esperados”, comprometeu-se o presidente.

O encerramento dos dois altos-fornos de Florange permitiu o funcionamento a 100% dos restantes cinco e afetou pouco mais de 600 dos 2500 empregados da fábrica, os quais receberam condições de reforma vantajosas ou prémios e compensações. Mas alguns sentem-se traídos: “O senhor Hollande veio aqui dizer-nos o quê? Que nos traiu? Eu preferia que nos minta e não venha”, afirmou um funcionário. Outro diz simplesmente: “Tem coragem… voltar ao local do crime”!

Quanto ao sindicalista Edouard Martin, prefere olhar para os mais de 500 milhões de euros que vão ser investidos no Vale da Lorena, nos próximos 10 anos. “E se há quem considere que isso é uma merda, eu como merda destas todos os dias, de boa vontade”, afirmou.

François Hollande, é certo, não respeitou a promessa de campanha sobre a manutenção dos altos-fornos de Florange mas oferece agora um pacto Estado-Região que visa o desenvolvimento de projetos inovadores, numa zona que vive, sobretudo, da indústria. Quanto a ArcelorMittal, comprometeu-se a investir 180 milhões de euros, nos próximos cinco anos.