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Azerbaijão vai a votos em Aliev

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Azerbaijão vai a votos em Aliev

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Eleições no Azerbaijão este 9 de outubro.
À primeira, Bakou parece uma cidade moderna como as outras. Há viaturas de luxo, grandes hotéis, arranha-céus ultra-modernos. O maná do petróleo representa 70% dos rendimentos do Estado.
Muitos já fizeram a sua escolha, até porque a oposição não é livre, como se deduz do inquérito feito aos transeuntes:

“Eu falo russo e sinto-me confortável na minha cidade, sou uma pessoa feliz. Claro que vou votar na pessoa que tornou isto possível”.

“Vamos votar por uma vida melhor, no nosso presidente pois assistimos ao sucesso do Azerbeijão, tanto a nível nacional como internacional”.

“Não se preocupem, vamos votar em quem devemos… até você já compreendeu em quem.”

Os números explicam tudo: entre 2003 e 2012, o PIB, por habitante, passou de 626 euros para 5774 euros, o que é o maior aumento deste indicador no mundo inteiro.

Quem recolhe os frutos é Ilham Aliev, presidente desde 2003, que sucedeu ao pai Heydar, que já tinha dirigido o país durante 23 anos, e deixou o culto da personalidade presente em todas as ruas de Bakou. Reeleito em 2008, num escrutínio contestado pelos observadores ocidentais, submeteu-se a um referendo, em 2009, que não lhe permite mais do que dois mandatos.

O clã Aliev domina o Azerbaijão e é o principal beneficiário da exploração dos seus recursos naturais, que incluem petróleo, gás natural e minérios, entre eles o ouro. As empresas concessionárias em todos este sectores são, na maioria, propriedade de familiares de Aliev, incluindo as irmãs. Telemóveis e banca são outras áreas económicas em que impera o clã reinante.

Os opositores não têm grande hipótese de aparecer e, quando o fazem e se excedem, as imagens são transmitidas até à exaustão. Aliev está seguro da vitória. A oposição presta-se ao papel de figurante e repetiu apenas uma mensagem.
Jamil Hasanly, candidato da oposição à presidência:

“Atualmente, no Azerbaijão não há democracia. O governo azeri não organizou eleições democráticas e livres. Não há uma atmosfera democrática no país”.

O regime dos Aliev manda construir e paga, com dinheiro público, às empresas dos Aliev. A oposição, excluída do Parlamento desde as eleições de 2010, tenta fazer-se ouvir por cima da forte repressão. A Amnistia Internacional colocou o país na lista negra dos prisioneiros de consciência.