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Rivera e Khalo: Um casamento a cores

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Rivera e Khalo: Um casamento a cores

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Está em exposição até 13 de janeiro, em Paris, no Museu de L’Orangerie, a exposição “Frida Khalo e Diego Rivera”. Longe de ser um novo confronto entre ambos, esta mostra, que marca o regresso da arte da mexicana a França 15 anos depois, assume-se como um diálogo entre a obra de duas pessoas que formaram um dos casais mais tempestuosos do mundo da arte e em especial, claro, da cultura mexicana.

Frida Khalo era bissexual. Diego Rivera era mulherengo. Casaram-se duas vezes. Ele assobiava para o lado perante as várias aventuras da mulher desde que se limitassem a outras mulheres. Mas ele, não se ficava. Pelo meio, Diego aproximou-se de Cristina, uma irmã de Frida. Foram apanhados em flagrante e, revoltada Frida cortou todo o próprio cabelo diante de um espelho. Diego trocou-a pela irmã e com Cristina teve teve seis filhos. Mais tarde, Diego e Frida iriam reaproximar-se.

A diretora do museu de L’Orangerie sublinha que “eles eram um casal apaixonado” e explica que esta exposição retrata também “uma história de amor e de raiva”. “É uma história barulhenta, furiosa, feita de separações e encontros. O que pretendemos – e este é de facto o objetivo – é mostrar as duas obras lado a lado. Não se trata de um confronto, mas sim de criar um diálogo entre as duas obras e permitir ao público descobri-los”, diz-nos Marie-Paule Vial.

A curadoria da exposição é de Beatrice Avanzi, que assume: “Não é fácil mostrar o trabalho de Frida Khalo ao lado do de Diego Rivera. Sobretudo, por causa da diferença de escalas”. Beatrice explica-nos que “Diego era um pinto de grandes frescos em murais da Cidade do México, enquanto “Frida sempre pintou numa escala mais pequena, acima de tudo, autorretratos.”

“Frida Khalo e Diego Rivera” convida os visitantes a entrar dentro da história íntima do casal mexicano. Pelas paredes do museu de L’Orangerie podemos ver, por exemplo, o registo de várias viagens de Diego Rivera pela Europa ou os diversos autorretratos onde Frida deu cor aos tormentos vividos, em especial, após o grave acidente de 1925 e a três abortos que sofreu.

Ele era um pintor de fortes convicções políticas. Ela, uma aspirante a médica que viu o sonho trucidado e encontrou na pintura a expressão da dor e das tormentas da vida. Juntos, amaram-se, traíram-se, reencontraram-se. Até à morte de Frida, em 1957.