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Ninguém quer as cinzas do nazi Priebke

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Ninguém quer as cinzas do nazi Priebke

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Foi com gritos de “assassino” que o corpo do nazi Erich Priebke foi recebido na cidade italiana de Albano, sede da comunidade católica integrista, a única que aceitou celebrar uma cerimónia religiosa ao antigo oficial das SS.

O próprio papa Francisco, vigário de Roma, tinha recusado tal cerimónia ao criminoso nazi.

A celebração, privada, acabou por ter lugar no seminário do ultraconservador Instituto Pio X, em Albano.

Nesta localidade, de cerca de 40 mil habitantes, com uma tradição de resistência, esta missa é muito mal vista pela população e pelas autoridades. Nicola Marini, o edil local, sente o ato como um ultraje: “Esta cidade não merece uma ferida tão lancinante, tão forte, incluindo pelo respeito ao contributo em vidas humanas que a nossa cidade deu, durante a guerra da libertação”.

Depois da celebração religiosa, o corpo de Priebke seguiu para o crematório, mas o local das cinzas é uma incógnita: nem Roma, nem a Argentina, onde viveu 40 anos, nem a Alemanha, o seu país natal, querem os seus restos mortais.

O antigo capitão das SS morreu aos 100 anos, em Roma, onde estava em prisão domiciliária. Foi condenado, em 1998, pelo massacre das grutas Ardeatinas, em Roma, onde 335 civis italianos foram executados.