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Tarantino verga-se perante Belmondo em Lyon

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Tarantino verga-se perante Belmondo em Lyon

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Está a decorrer em Lyon, França, a quinta edição do Festival Lumière. O evento abriu portas com casa cheia esta segunda-feira, na Halle Tony Garnier, e o ponto alto está marcado para domingo, quando Quentin Tarantino, o cabeça de cartaz desta edição, receber o prémio Lumière, sucedendo a nomes como Milos Forman, Clint Eastwood ou Gérard Depardieu.

Mas a festa e as homenagens nesta edição do Lumière arrancaram logo na noite de abertura. Jean-Paul Belmondo, que celebrou 80 anos em abril deste ano, esteve em particular destaque e o próprio Quentin Tarantino se vergou ao peso do famoso ator francês, que se apresentou bem-disposto em Lyon. “É um deus. Não posso crer que vou conhece-lo. É muito excitante. O meu coração está acelerado”, confessou aos jornalistas o oscarizado argumentista e realizador de “Pulp Fiction”, destacando, ainda a propósito, o melhor filme que viu do ator francês: “Foi ‘O Denunciante’, de Jean-Pierre Melville.”

Belmondo terá sido, aliás, o motivo que levou a Tarantini a diferenciar-se dos antecessores distinguidos com o Prémio Lumière e a marcar presença em Lyon desde o início do festival. “Ele surpreendeu-nos ao aceitar estar aqui. Sabia que ele queria vir por causa do Belmondo. Por tradição, quem recebe o prémio Lumière apenas vem para a entrega, na segunda parte do festival. Mas quando disse a Tarantino, há alguns meses, que o Belmondo estaria na abertura, ele disse logo que também cá estaria”, revelou o diretor do festival, Thierry Frémaux.

Jean-Paul Belmondo é, por conseguinte, outra das grandes estrelas desta edição do Festival Lumière. O ator é distinguido pelos 60 anos de carreira e os elogios sucederam-se para lá de Tarantino. “Estou, como é natural, muito contente de estar aqui pelo Jean-Paul. Fizemos três filmes. O primeiro foi ‘La Viaccia’, de Mauro Bolognini. Éramos muito jovens e eu fiz de prostituta”, recordou a atriz franco tunisina Claudia Cardinale, de 75 anos, também presente em Lyon.

O realizador francês Claude Lelouch, de 75 anos, assumiu-se como “um cliente” dos filmes de Jean-Paul Belmondo, que dirigiu em três longas-metragens. “Penso que ele é o ator francês do pós-guerra que veio suceder ao Jean Gabin (1928 – 1976)”, defendeu o realizador oscarizado por “Um Homem e uma Mulher”, eleito o melhor filme estrangeiro de 1967 pela Academia de Hollywood.

Outro ilustre realizador, Bertrand Tavernier, que em 2009 dirigiu Tommy Lee Jones no drama policial “In the Electric Mist”, generalizou a temática e defendeu que “não existe cinema velho ou novo, moderno ou clássico”. “Há apenas dois tipos de cinema: o que é bom e pode ser moderno, clássico, novo ou antigo; depois temos os filmes que começam às oito da noite e, quando chegamos à meia-noite, parece-nos que ainda são oito e um quarto”, explicou Tavernier.

Jean-Paul Belmondo teve a ovação merecida na noite de abertura. Mas durante esta edição do Festival Lumière, e para além do também já citado Quentin Tarantini, há mais distinções para celebrar como o cinema noir americano, Henri Verneuil ou Ingmar Bergman. Até domingo, 20 de outubro, vão ser muitas as sessões de cinema proporcionadas pelo festival, que vendeu mais de 60 mil bilhetes antes mesmo da abertura oficial. Sendo um festival sem competição, o foco serão os ciclos de cinema dedicados aos homenageados. O destaque, maior, claro vai para os oito filmes que o norte-americano realizou e que estarão em cena no âmbito do festival Lumière.