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Erich Priebke, um cadáver que incomoda

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Erich Priebke, um cadáver que incomoda

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O que fazer do corpo de Erich Priebke? Todos querem evitar a repetição de cenas em que grupos neonazis se juntam em cerimónias religiosas organizadas por integristas católicos, em Roma.

Onde quer que seja o funeral, a cerimónia corre sempre o risco de se transformar numa peregrinação de neonazis. Os corpos dos antigos criminosos da II Guerra Mundial tornam-se demasiado incómodos.

O antigo capitão das SS, morto sexta-feira em Roma, passou os últimos 15 anos em prisão domiciliária. Foi condenado a prisão perpétua em 1998, ao fim de um longo processo em que nunca negou as convicções nazis.

Ganhou a alcunha de carniceiro com o massacre das Fossas Adreatinas, a 23 de março de 1944. Como represália por um ataque à bomba em que morrem 33 soldados alemães, os homens de Priebke capturaram e executaram 335 homens, incluindo um adolescente de 15 anos.

Fugido na Argentina, torna-se empresário de hotelaria, na cidade de Barriloche. A Itália encontra a pista em 1994 e consegue a extradição no ano seguinte.

Não foi o único criminoso nazi a ter encontrado refúgio na Argentina. Durante a presidência de Juan Perón, o país acolheu o arquiteto da solução final Adolf Eichmann e o médico Josef Mengele, conhecido como o “Anjo da Morte”. Há ainda rumores de que o secretário de Hitler, Martin Bormann, oficialmente morto na Alemanha em 1945, se teria, na verdade, refugiado na Argentina.

Quando se trata de antigos nazis, cada cadáver vem carregado de medos e polémicas. Ninguém sabe para onde foram os restos mortais de Hitler. O corpo terá sido enterrado secretamente pelos soviéticos na Alemanha Oriental.

Provavelmente, Goebbels foi enterrado juntamente. O Ministro da Propaganda do Terceiro Reich suicidou-se, juntamente com a mulher, depois de ter morto os seis filhos. Himmler foi enterrado, secretamente, num campo.

Hoje, é difícil enterrar um corpo em segredo. Para muitos, a solução mais aceitável é cremar Priebke e espalhar as cinzas. Resta saber quem deve tomar a decisão. Nem a aldeia natal do ex-criminoso nazi quer receber o corpo.