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Tahman Bradley: "Acordo no Senado não evitará que EUA voltem à mesma situação dentro de poucos meses"

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Tahman Bradley: "Acordo no Senado não evitará que EUA voltem à mesma situação dentro de poucos meses"

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Stefan Grobe, euronews: “É o momento da verdade no Capitólio. Estamos a poucas horas do momento em que os Estados Unidos atingem o teto da dívida e, basicamente, ficam sem dinheiro. Estou em frente ao Capitólio, num dos edifícios de escritórios do Congresso, com Tahman Bradley, da ABC News”.

“Tahman, muitas pessoas, por todo o mundo, estão a perguntar o que se está a passar com os Estados Unidos, por que razão o país se encontra tão disfuncional. Já assististe antes a uma situação deste tipo?”

Tahman Bradley: “Não… As coisas nunca estiveram tão mal. Temos uma longa tradição, neste país, de um governo dividido, mas isto vai muito mais longe – trata-se de um partido republicano dividido. O Tea Party, uma pequena fração do partido republicano, provocou o ‘shutdown’ e criou esta ameaça de incumprimento. Disseram que ‘ou é como eu quero, ou nada’… Não há uma tentativa de compromisso em Washington, ambos os lados assentaram trincheiras. Por isso, assistimos a um governo incapaz de funcionar, incapaz mesmo de se manter ‘aberto’ e executar funções básicas, como fazer passar um orçamento para financiar o governo… Isso é algo que o Tea Party mantém como refém, na sua tentativa de desfazer a reforma do sistema de saúde do presidente. Isto é algo que tem sido debatido, o Congresso aprovou a emblemática reforma de Obama, o Supremo Tribunal validou-a, mas o Tea Party disse que quer desfazê-la e assentou posições.”

SG: “Olhando para o futuro, o que é que pensas que vai acontecer amanhã, nos mercados globais?”

TB: “Bom, os mercados podem ser surpreendidos. Mesmo se conseguirem chegar a um acordo através do Senado que evite o incumprimento, ainda há a possibilidade dos Estados Unidos sofrerem um corte na notação. Assistimos a isso há dois anos, quando estivemos à beira do precipício… A nota de crédito dos Estados Unidos foi baixada. E a realidade é que, com este acordo no Senado, voltaremos a estar na mesma situação, com as mesmas lutas, em Dezembro ou Janeiro… Por isso, pouco mudou.”