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França convoca embaixador dos Estados Unidos devido a escutas da NSA

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França convoca embaixador dos Estados Unidos devido a escutas da NSA

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O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, convocou hoje o embaixador dos Estados Unidos em Paris, depois das alegações de espionagem pela Agência de Segurança Nacional (NSA).

Segundo o site do diário francês “Le Monde”, a NSA efetuou 70,3 milhões de registos de dados telefónicos de franceses entre 10 de dezembro de 2012 e 08 de janeiro deste ano.

Laurent Fabius considera este tipo de práticas “totalmente inaceitável”. E, em declarações à imprensa afirmou, “é preciso garantir, muito rapidamente, que deixaram de ser realizadas”.

Em Julho, o Ministério Público de Paris abriu um inquérito preliminar sobre o programa da NSA, conhecido como Prism, depois da revista alemã “Der Spielge” e do jornal inglês “The Guardian” revelarem práticas de espionagem por parte da agência.

As alegações baseiam-se em documentos que estariam na posse de Edward Snowden, antigo consultor da NSA.

Charles Rivkin, o embaixador dos EUA na França, recusou-se a comentar as acusações, mas afirmou que a relação entre os dois países fora “a melhor de uma geração”.

Giovanni Magi: “Nos últimos anos, os diplomatas têm trabalhado arduamente para reconstruir as relações que existiam entre a França e os Estados Unidos antes da intervenção militar no Iraque. E as revelações sobre escutas telefónicas podem marcar um retrocesso neste processo. Além disso, são também uma fonte de embaraço para o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, que chegou a Paris.
Há, também, questões que podem explicar o facto de o embaixador norte-americano em França só ter sido convocado esta segunda-feira. E que podem ser justificadas com o facto de os serviços secretos não terem informações suficientes sobre a dimensão das interceções. Ou, talvez, com as expectativas do governo de que o caso se tornasse público”.

Stefan Grobe: “Em Washington não há, ainda, qualquer reação oficial mas é evidente que as últimas revelações são embaraçosas para o governo até porque as relações com a França melhoraram ao longo dos últimos anos. Além disso, é importante não esquecer que este foi o único aliado europeu que se mostrou disposto a apoiar uma ação militar dos Estados Unidos na Síria até há algumas semanas atrás.
Não deixa de ser irónico que o Presidente, Barack Obama, que se comprometeu a apresentar o governo mais transparente na história dos Estados Unidos esteja a ser confrontado com operações que são politicamente, constitucionalmente e moralmente questionáveis. Mas Obama pode ter uma oportunidade para transformar a Agência de Segurança Nacional muito em breve já que o general Keith Alexander, diretor da NSA se vai reformar. Obama pode nomear alguém que salvaguarde os direitos individuais dos cidadãos, tal como defendem várias organizações”.