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Espionagem incomoda europeus a diferentes níveis

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Espionagem incomoda europeus a diferentes níveis

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A questão da espionagem já tinha sido abordada na cimeira europeia do mês de junho. Mas, desta vez, está no topo da lista de assuntos a tratar.

Espiados pelos norte-americanos, os europeus estão a exaltar-se com as últimas revelações. Paris eleva o tom, apesar da tolerância dos outros parceiros com Washington, até agora.

As escutas telefónicas a Merkel podem alterar a situação. Quando soube, a chanceler alemã telefonou imediatamente a Obama para lhe comunicar que a confiança entre os dois países pode ser seriamente afetada se a espionagem for confirmada.

No passado mês de julho, em plena campanha eleitoral, as revelações publicadas pelo Der Spiegel, baseadas nos dados de Edouard Snowden, provocaram tímidas reações, apesar da opinião pública ter reagido ao assunto, considerado muito sensível no país.

Em França, as últimas revelações publicadas pelo Le Monde asseguram que, em cerca de um mês, a Agência Nacional de Segurança norte-americana realizou mais de 70 milhões de gravações de dados telefónicos de franceses. Mais do que na Alemanha, a informação provocou a indignação do governo e a imediata convocação do embaixador norte-americano.

O primeiro-ministro francês, Jean Marc Ayrault, reagiu com clareza:

“É incrível que um país amigo, um país aliado como a América do Norte, possa chegar ao ponto de espiar comunicações privadas sem nenhuma estratégica justificativa, sem nenhuma base de defesa nacional de Washington. Os Estados Unidos têm que responder por isto.”

Paris assegura que não vai ceder até conseguir obter explicações e os Estados Unidos terminarem com esta espionagem.

Noutros países, apesar dos comentários e análises, as revelações foram rapidamente abafadas.

O primeiro-ministro italiano, Enrico Letta, por exemplo, contentou-se com as umas palavras de tranquilização do secretário de Estado norte-americano. O mesmo ocorreu em Espanha, na Bélgica e na Holanda.

No Reino Unido impera o silêncio sobre o assunto, até porque é aliado da Agência Nacional de Segurança neste caso de espionagem. O Guardian publicou informações relacionadas com este assunto, no verão passado, e chegou a ser acusado de pôr em perigo a segurança do Estado.

Será difícil todos os países da União Europeia responderem a uma só voz. Os especialistas consideram que é pouco provável que os serviços secretos dos países afetados ignorem as práticas norte-americanas.