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Cimeira Europeia dominada pela imigração e espionagem

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Cimeira Europeia dominada pela imigração e espionagem

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O escândalo da alegada espionagem norte-americana aos líderes europeus ensombrou a Cimeira Europeia de Bruxelas. França e Alemanha uniram-se para discutir um acordo de não-espionagem com os Estados Unidos e outros Estados-membros pode juntar-se a eles. Mas na agenda esteve também a recuperação económica e as políticas de migração, temas que foram debatidos mas as decisões só devem ser tomadas em dezembro.

Em relação às questões da imigração, o Conselho quer relançar o diálogo com os países de origem e reforçar a vigilância nas fronteiras externas. Para isso já vão ser postos meios no terreno.
Herman van Rompuy, o presidente do Conselho Europeu, explica que “vamos criar uma unidade para o Mediterrâneo, liderada pela Comissão Europeia com os Estados-membros, para avançar rapidamente com objetivos operacionais concretos, de forma a usar de forma mais eficiente as políticas e ferramentas europeias.”

Mesmo com esta nova unidade, os países que acolhem os imigrantes e os exilados continuam a pedir maior participação de todos os Estados-membros para evitar mais casos dramáticos como o de Lampedusa. O Primeiro-ministro italiano, Enrico Letta considerou “muito importante que nas conclusões esteja incluída a ideia de solidariedade. Sublinho isto porque todos sabemos que essa ideia não pode ser dada como garantida.”

Uma solidariedade exigida sobretudo por Itália, Chipre, Grécia e Malta, não só para evitar naufrágios mas também para lidar com o crescente número de exilados.

A correspondente da Euronews em Bruxelas, Isabel Marques da Silva entrevistou o Primeiro-ministro da Malta, Joseph Muscat. A pequena ilha do Mediterrâneo com menos de 400 mil habitantes, tem 17 mil imigrantes ilegais que chegaram na última década. Em proporção com a população, é o país que recebe maior número de pedidos de asilo no mundo.

Isabel Marques da Silva/euronews (IMS/euronews):
“Antes de vir a esta cimeira deu o exemplo da solidariedade europeia em relação aos resgates financeiros e ameaçou deixar de cooperar noutras áreas caso não haja solidariedade no que diz respeito à migração. Ficou satisfeito com os seus parceiros e com as conclusões desta cimeira?”

Joseph Muscat / Primeiro-Ministro de Malta (JM / PM Malta) :
“O mais importante é que o Conselho concordou que deve haver uma linha do tempo, um prazo claramente inscrito. O Conselho decidiu que em dezembro a Europa vai decidir e tomar as decisões operacionais apresentadas para enfrentar esta crise.”

IMS / euronews :
“O que vai fazer nos próximos seis a oito meses, quando estes barcos continuarem a chegar a Malta?”

JM / PM Malta:
“Quem viu o pedido de asilo recusado deve voltar para o país de origem. Isso deveria fazer parte das regras do Frontex.”

IMS / euronews:
“Mas , em vez de os repatriar, e tendo em conta que a situação em países como a Tunísia ou Líbia é instável, não podiam ser distribuídos pelos outros países europeus?”

JM / PM Malta:
“Sei que pode parecer demasiado duro, mas é assim que funciona. Considero que não se pode aceitar que todos os que viram o pedido de asilo recusado fiquem na Europa. É algo que queremos resolver.”

IMS / euronews:
“O seu colega italiano, disse-nos que das cerca de 35 mil pessoas que pediram asilo este ano, 73% tinham recebido o estatuto. A maioria destas pessoas deve ficar na Europa, mas talvez pudessem espalhar-se um pouco mais pela Europa. Conseguiu obter algum tipo de compromisso por parte dos outros países da União Europeia ?”

JM / PM Malta:
“Acredito que esse é o trabalho da Europa e é um passo importante . Acredito que a Comissão propõe algo de semelhante e nesse caso teremos algum alívio . Mas há outros pontos mais controversos, esta é uma questão espinhosa.”

IMS / euronews:
“Também disse que não se trata apenas de colocar dinheiro em cima da mesa, mas a verdade é que só agora Itália vai receber 30 milhões de euros, e temos visto alguns centros de acolhimento com condições terríveis. Em Malta há necessidades financeiras, como usaria mais dinheiro?”

JM / PM Malta:
“Não dizemos que não há necessidade de melhorar as infraestruturas. De qualquer forma defendemos que há mais necessidade de melhorar os meios de detenção. Se alguém entra no nosso país sem a documentação, não se pode simplesmente deixá-la ir. Não podemos simplesmente fechar os olhos para o tráfico de mais pessoas.
Que podemos fazer se não há meios de detenção? Devemos apenas fechar os olhos? E em vez de fazer apenas uma viagem entre a Líbia e Malta, devemos também fechar os olhos à viagem entre Malta e Itália?
Nós não fazemos isso!”

IMS / euronews: “Então concorda que a filosofia do EUROSUR , que tem sido abordada durante esta cimeira , deve ser para patrulhar de forma a manter os barcos à distância, em vez de criar condições para resgatar pessoas ainda no mar? Deve haver um resgate coordenado no mar?”

JM / PM Malta:
“Sim, de qualquer forma, não podemos deixar que os traficantes fiquem com a ideia de que podem enviar mais barcos que nós vamos resgatá-los e a entrada na Europa é mais fácil. Acho que precisamos repensar o nosso sistema de vistos, o nosso sistema de asilo e tornar a migração legal na Europa possível e mais plausível.”