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Nova Era na Geórgia

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Nova Era na Geórgia

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A Geórgia está a escrever uma importante página da sua história. As eleições presidenciais, que se realizam no domingo, terminam a era Mikheil Saakashvili: uma década de mudanças internas e de reformas profundas que, no plano externo, ficou marcada por uma tensa relação com a Rússia.

O favorito nesta corrida eleitoral, ainda que com menos poderes do que o antecessor, é Gueorgui Margvelashvili, sucessor do opositor do presidente, desde o ano passado. Antigo professor de filosofia, foi ministro da Educação no governo do primeiro-ministro Ivanichivili. É um amador de Shakespeare, que faz malha nos tempos livres e insiste nos objetivos da diplomacia do país:

Candidato da coligação Sonho Georgiano:

“A oposição e a maioria parlamentar chegaram a acordo sobre a direção que o país deve seguir em termos de desenvolvimento. As prioridades específicas da política externa devem ser a integração na União Europeia e nas estruturas euro-atlânticas. Mas, ao mesmo tempo, temos de reduzir a tensão com a Rússia”.

Entre os outros 22 candidatos, Nino Burjanadze é uma rival de respeito que jura ajustar contas com o antigo presidente e está convencida de ir à segunda volta. Antiga presidente do Parlemento, cita frequentemente Margaret Thatcher, sua referência política, mas defende uma política externa diferente.

Candidata do Partido Presidencial, Nino Burjanadze:

“Infelizmente, não vi nenhum passo decisivo do governo georgiano na hora de falar com a Rússia. Como há tropas russas no nosso território, a Geórgia não pode ser membro da NATO. Isto não quer dizer que não possamos cooperar com a Aliança Atlântica, mas falar de uma possível integração é mentir”.

David Bakradze, também foi presidente do Parlamento, entre 2008 e 2012. Aos 41 anos, é o candidato do partido de Mikheïl Saakachvili, defendendo o balanço da sua presidência e da gestão da guerra relâmpago, com a Rússia, em 2008.

Candidato do Movimento União Nacional, David Bakradze:

“Se queremos ser um país normal, devemos ter uma democracia normal, ser membros das instituições europeias e das instituições euro-atlânticas de segurança. Esta é a única saída para a Geórgia. A integridade territorial e a liberdade de eleição são dois conceitos que jamais sacrificarei para melhorar as relações com a Rússia. Mas quanto ao resto, por que não? Devíamos falar”.

De qualquer modo, o novo presidente terá muito menos poderes do que o antecessor, devido à recente reforma constitucional que faz do primeiro-ministro o verdadeiro homem forte da Geórgia.